Alex Sandro renova contrato com o FlamengoGilvan de Souza / CRF

O Flamengo confirmou neste sábado (5) que Alex Sandro será desfalque nos jogos contra o Remo e o Independiente del Valle. A ausência, que chega justamente em meio a mais um problema físico do lateral, reacende uma discussão que o clube talvez preferisse deixar em segundo plano: aos 35 anos, com um histórico recente de lesões musculares, até onde vale a pena esticar a aposta em um jogador que já precisa ser cuidadosamente administrado?
Alex Sandro chegou ao Flamengo em agosto de 2024 carregando uma carreira que merece reverência. Athletico Paranaense, Santos, Porto, Juventus e Seleção Brasileira. Uma trajetória construída nos grandes palcos, com títulos, respeito e uma experiência que poucos laterais brasileiros conseguiram acumular.

Mas futebol não vive de biografia. Vive de presente.

E o presente de Alex Sandro começa a exigir mais cuidados do que aplausos.

Aos 35 anos, o lateral continua tendo técnica, leitura de jogo e experiência para decidir partidas. O problema é que o calendário não respeita currículo. O corpo também não.

Alex Sandro em ação durante treino do Flamengo, no Ninho do Urubu - Adriano Fontes / Flamengo
Alex Sandro em ação durante treino do Flamengo, no Ninho do UrubuAdriano Fontes / Flamengo

Desde que chegou ao Flamengo, Alex Sandro acumulou problemas físicos. Em 2025, foram diferentes afastamentos por problemas na coxa, além de uma lesão muscular na panturrilha esquerda que o tirou dos gramados por 26 dias. Em 2026, novamente houve problema na coxa, com 20 dias de afastamento, além de preocupação com a panturrilha.

Não é um episódio isolado. É um padrão que deveria fazer qualquer departamento de futebol acender mais de uma luz vermelha.

E, mesmo diante desse histórico, o Flamengo decidiu renovar o contrato até dezembro de 2027.

É aqui que a discussão deixa de ser sobre Alex Sandro e passa a ser sobre planejamento.

Renovar com um jogador de 35 anos não é pecado. Renovar sem considerar que ele precisa de administração especial de carga é que pode ser um erro caro.

Segundo relato divulgado pelo canal Resenha Rubro-Negra, o médico do Flamengo, Fernando Sassaki, recomendou ao departamento de futebol que Alex Sandro fosse utilizado apenas uma vez por semana. Tal orientação diz muito mais sobre o desafio físico do jogador do que qualquer discurso de apresentação.

Porque há algo quase paradoxal nisso tudo.

O Flamengo renovou até 2027, mas talvez não possa utilizar seu lateral como se estivesse contratando um atleta de 25 anos. Então para que serve um contrato longo se o jogador precisa ser cuidadosamente dosado?

O clube precisa parar de confundir respeito com imunidade à crítica. Alex Sandro merece consideração pelo que construiu. A diretoria, porém, merece cobrança pelo que está construindo agora.

Currículo não corre atrás de ponta. Nome não recupera lesão. E medalha não entra em campo.

Alex Sandro ainda pode ser útil. Talvez muito útil. Pode ser aquele jogador para partidas específicas, momentos decisivos e noites em que experiência vale mais que juventude. Mas transformá-lo novamente em solução de rotina seria apostar contra o próprio calendário.

O risco não está em ter Alex Sandro no elenco. O risco está em fingir que o tempo não passou. O Flamengo pode ter renovado com um grande jogador. Só precisa tomar cuidado para não ter renovado, também, com um problema que já vinha dando sinais de que chegaria antes de 2027.

José Boto e Alex Sandro celebram renovação do lateral do Flamengo até dezembro de 2027 - Gilvan de Souza / CRF
José Boto e Alex Sandro celebram renovação do lateral do Flamengo até dezembro de 2027Gilvan de Souza / CRF



No futebol, a conta do passado sempre chega. E o Flamengo acaba de assinar o recibo.