A final da Libertadores de 2025 entre Flamengo e Palmeiras é o ápice de uma rivalidade que só cresce no Brasil e no continente a cada ano. Se os palmeirenses guardam na lembrança o título de 2021 sobre o rival, os rubro-negros têm uma decisão mais antiga como grande momento do confronto, ainda numa época diferente do domínio atual dos dois, que é a conquista da Copa Mercosul de 1999.
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Ao contrário do equilíbrio de agora, aquela final há 26 anos tinha um Palmeiras campeão continental e franco favorito, com nomes consagrados como Marcos, Junior Baiano, Arce, Zinho, Alex, Paulo Nunes, comandados por Felipão. Já o Flamengo de Carlinhos não tinha mais Romário e contava com jovens promissores como Juan, Athirson, além de três que se destacaram nos dois confrontos decisivos: Reinaldo, Lê e Caio Ribeiro, único que não era da base.
"Tínhamos uma geração de muitos atletas da base nesse grupo. A conquista foi importante para ser nossa afirmação no Flamengo. Representamos bem o Flamengo na final e o título marcou uma geração de pratas da casa junto a atletas mais experientes, que nos ajudaram muito. Essa junção deu liga. Foi um título muito importante para a história do clube e para nossas carreiras", relembra Reinaldo.
O ex-atacante fez o gol da vitória por 4 a 3 no Maracanã, pelo jogo de ida, e deu o passe de calcanhar para Lê marcar o 3 a 3, que deu o título em São Paulo. Quem também brilhou foi Caio, que marcou três vezes nos dois confrontos.
"Foi muito marcante. A gente pegou um Palmeiras que era um timaço. Nós tínhamos perdido a nossa grande referência, o craque, que era o Romário. Era uma molecada muito talentosa, mas ainda buscando uma afirmação, enquanto pegava um Palmeiras consagrado e já consolidado. A gente faz dois grandes jogos, e aconteceram coisas ao longo da trajetória que fortaleceram muito a nossa equipe durante a campanha", recorda.
Caio sai do banco para resolver
Naquela final recheada de gols, o Flamengo ficou atrás no placar a maioria das vezes e conseguiu reagir. Num Maracanã vazio, com quase 15 mil pessoas, por causa da reforma da geral, o Rubro-Negro chegou a sair na frente, mas tomou a virada. E contou com a entrada de Caio no segundo tempo para mudar o jogo.
Aos 24 anos e com passagem no futebol italiano, o então meia-atacante vivia uma situação incômoda com a reserva. Querido pela torcida, ele tinha certeza de que viraria titular com a saída conturbada de Romário, em novembro. Mas não aconteceu, e precisou marcar duas vezes contra o Palmeiras (fez os empates em 2 a 2 e 3 a 3), para ganhar uma chance no time no jogo de volta.
"Eu sabia que a torcida confiava muito em mim e quando teve o problema do Romário e ele (Carlinhos) não optou pela minha entrada, eu fiquei maluco. É que eu sou um cara muito da paz, muito disciplinado, muito respeitador. Mas eu não aceitava de jeito nenhum. Já achava que tinha que jogar com o Romário, a torcida queria que nós fôssemos a dupla titular. Então na hora que eu entro naquele jogo as coisas dão muito certo e a gente vira o jogo", afirmou.
"Fui titular na volta por causa dos dois gols. Eu tinha que matar um leão por dia para ele me colocar, ganhei (a vaga) dentro de campo".
Jornal O Dia destacou a final da Copa Mercosul de 1999, conquistada pelo Flamengo sobre o PalmeirasReprodução / Jornal O Dia
Reinaldo e o entrosamento da base
Caio ainda fez o primeiro gol do Flamengo no 3 a 3 no Parque Antártica. Essa vantagem do empate só foi possível por causa de Reinaldo, que marcou aos 44 minutos do segundo tempo para garantir o 4 a 3 no Rio. Lance fruto do entrosamento da base, em cruzamento de Athirson.
"Foi um momento de muita alegria. Era uma jogada que trabalhávamos muito. Athirson sempre cruzava a bola entre o lateral e o zagueiro. Fui feliz de estar na hora e no lugar certos. Foi um dos gols mais importantes da minha carreira", admite o atacante.
Reinaldo tinha 20 anos naquela época e ainda seria decisivo no gol do título. Ele tabelou com Lê e deu um passe de calcanhar para o companheiro desde os tempos da base empatar a partida, aos 38 da segunda etapa.
"Era uma coisa muito treinada. Tínhamos muito entrosamento, isso facilitou. Eu fazia o jogo de pivô e escorava para ele chegar finalizando. Graças a Deus, conseguimos colocar o nosso entrosamento num momento tão importante da nossa carreira e da história do clube. Também entrou a qualidade e a frieza do Lê para fazer o gol do título", analisou Reinaldo.
Jornal O Dia destacou a final da Copa Mercosul de 1999, conquistada pelo Flamengo sobre o PalmeirasReprodução / Jornal O Dia
Flamengo superou ausência de Romário
Tanto Caio quanto Reinaldo tornaram-se personagens principais da conquista da Copa Mercosul de 1999 assumindo o espaço deixado por Romário. O grande nome daquele elenco deixou o clube em 10 de novembro, após ser afastado pela diretoria. A decisão ocorreu após a polêmica ida à Festa da Uva, em Caxias do Sul, logo após a eliminação do clube do Brasileiro.
O Baixinho ficou fora dos jogos de semifinal e final e mesmo assim foi o artilheiro da competição, com oito gols. A saída traumática abalou o grupo, que viu um clima ruim pesar, mas se uniu para superar a ausência importante.
"Tivemos receio. Ele não era apenas uma referência técnica, era nosso ídolo também. A gente chegou inseguro, no sentido de que estava sem a nossa grande referência. Não fomos tranquilos nem confiantes, mas sabíamos que era a nossa hora, um time jovem, talentoso, com jogadores que buscavam sua afirmação", disse Caio.
"E nessas horas, jogar com a torcida do Flamengo é muito diferente. Ela entende que precisa te apoiar e, se você está num dia bom, é muito difícil de ser batido. Você tira forças da onde não existe. Foi exatamente o que a gente fez naquela partida", complementou.
A força da torcida do Flamengo naquela final também é uma lembrança de Reinaldo.
"Jogar sem o Romário foi difícil, era nosso capitão e artilheiro da Mercosul. Carlinhos foi importante demais na final. Ele conseguiu tirar o máximo de nós, nos deixou fortes mentalmente. O torcedor também acreditou no time. Mais do que nunca, nos apoiaram e acreditaram no grupo que se fechou, tinha qualidade e sabia que era uma oportunidade única de ser campeão pelo Flamengo", relembrou.
Jornal O Dia destacou a final da Copa Mercosul de 1999, conquistada pelo Flamengo sobre o PalmeirasReprodução / Jornal O Dia
O favorito para a final da Libertadores
Passaram-se 26 anos desde aquela conquista e muita coisa mudou desde então. A Copa Mercosul não existe mais e Flamengo e Palmeiras passaram a dominar o futebol brasileiro e continental. Não à toa, a rivalidade cresceu num nível bem diferente do que era em 1999.
"Eu acho que na nossa época era mais leve. Não era tanta rivalidade como é hoje em dia", admite Caio.
Fruto de anos disputando títulos, em especial do Brasileirão. Mas também teve a final da Libertadores vencida pelos palmeirenses, em 2021. Para agora, o hoje comentarista do grupo Globo vê o Rubro-Negro em melhor momento nesta reta final de temporada.
"Flamengo é um pouco favorito pelo momento que atravessa. Agora, é uma final de um jogo e do outro lado tem a camisa do Palmeiras e um técnico como Abel (Ferreira). Então acho que o Palmeiras tem sim, condições de ir lá e voltar com o título por tudo que já demonstrou na temporada. É um jogo muito igual mesmo. Pode acontecer de tudo, mas essas últimas duas semanas do Flamengo são melhores", avaliou.
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