Leonardo Jardim celebra gol do Flamengo sobre o Coritiba, no MaracanãGilvan de Souza / Flamengo
Leonardo Jardim ressalta domínio do Flamengo em vitória sobre o Coritiba
Técnico rasgou elogios aos jogadores e agradeceu a Samuel Lino, autor de dois gols
Rio - Leonardo Jardim enalteceu o domínio do Flamengo na vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba, neste sábado (30), no Maracanã, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Rubro-Negro, que teve as rédeas do duelo do início ao fim, ainda contou com a expulsão de Pedro Rocha, no primeiro tempo. Para o técnico, porém, o time já se destacava antes mesmo do cartão vermelho.
"Foi um jogo completamente dominado por nós, mesmo no 11 contra 11. O Coritiba apresentava grandes dificuldades, mesmo na transição, que é uma coisa que utilizam. Conseguimos anular. Paramos também o Josué, responsável pela maioria dos lançamentos da equipe. Fizemos quase uma marcação por zona quando ele recebia a bola", iniciou o treinador.
"Fizemos o nosso jogo de posse, com movimentos. Samuel Lino jogou quase como um segundo atacante. Ele não está habituado, mas tem características para jogar assim e foi o que aconteceu. Agradeço pelos gols, se não iriam dizer que eu tinha inventado", complementou.
Com o resultado, o Flamengo chegou a 34 pontos, na segunda posição. O líder isolado é o Palmeiras, que soma 38. Agora, o Rubro-Negro só volta a campo depois da Copa do Mundo, em julho, contra a Chapecoense, na Arena Condá, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.
. Presença de Jorge Jesus: "Ainda não (falou com Jesus). Vou aproveitar para ver se vamos almoçar ou jantar amanhã. Estive sempre trabalhando. Quando se trabalha o tempo é pouco. Hoje foi dia de concentração, ontem teve treino à tarde. Houve pouco tempo, mas se tiver essa possibilidade óbvio que queremos estar juntos. Uma coisa é o futebol, outra é a nossa relação. O Jesus em 2020 quando saiu (do Flamengo) me telefonou para vir para cá. Ele acreditava que eu era boa solução para o Flamengo. Acabou que não aconteceu, somente em 2026".
. Balanço do primeiro semestre: "Conseguimos ganhar o Carioca, fizemos uma boa campanha na Libertadores, a melhor campanha há algum tempo. No Campeonato Brasileiro, queríamos ter mais pontos, perdemos cinco logo nas primeiras rodadas. No último jogo, contra o Palmeiras, perdemos pontos importantes. Mas temos dois jogos para terminar o primeiro turno e, se ganharmos, estaremos numa posição boa, como esteve o Flamengo nos últimos anos".
. Uso de jovens da base: "Eu como treinador tenho sempre esse registro na carreira, que é dar atenção aos jovens da base. Aqui com jogos a cada três dias não demos atenção em termos de jogos, mas demos em termos de análise do que fizeram no sub-20. O João tem jogado muito no sub-20 e ano passado treinou no principal. Hoje tinha duas opções, entrar o Saúl e colocar um volante para trás, ou acreditar e colocar um jovem. Eu não gosto de mudar posições, ele está aqui e tenho que acreditar nele. Eu disse: 'João, você sabe as regras, tem que jogar seu futebol'. Acho que ele fez um bom jogo e não por acaso é um dos melhores zagueiros jovens do futebol brasileiro. Espero que seja um primeiro passo para no futuro jogar mais em bem. Essa é a minha orientação".
. Sorteio da Libertadores: "O sorteio foi contra uma das equipes que tem também um objetivo grande na Libertadores, que se reforçou neste ano e já vem construída de um ano para o outro. Sabemos que vai ser um jogo intenso na ida e na volta. Nós vamos ter o objetivo de vencê-los, sabendo que a decisão vai ser aqui no Maracanã. Temos que procurar fazer um bom jogo no Mineirão primeiro. Uma coisa que vai na minha cabeça neste momento é preparar para os jogos de entrada, porque ainda não sabemos quais jogadores vamos ter. Porque não se sabe quando as equipes da Copa do Mundo vão ser eliminadas, se os jogadores vêm saudáveis ou não, se vêm de folga, se vão ter férias. Essa parte é o meu foco neste momento. Depois darei atenção a esse jogo. Cada coisa em seu momento".
. Reforços na janela: "Uma medida importante é saber quanto teremos para investir. Temos necessidades, mas vamos ver o que o dinheiro será suficiente para buscar. Com essa diretriz, vamos reforçar a equipe com mais qualidade. Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam acrescentar. Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, o Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente. O Boto está a trabalhar essa situação. De resto, temos que ver posição por posição e colocar mais qualidade".
. Posicionamento de Samuel Lino: "A nossa opção em termos de decisão do meio foi por um jogador que casasse bem com o Pedro. O Pedro infiltrou bastante e o Lino entrou, o Luiz (Araújo) flutuou e o Royal entrou... Era uma dinâmica que queríamos proporcionar, porque os volantes do Coritiba poderiam pressionar e nos incomodar entrelinhas. Conseguimos essas boas dinâmicas, que aumentaram depois da expulsão. O Lino é um jogador com essas características. Se vocês repararem, o Arrasca também faz esses movimentos às voltas do atacante. É importante que esse meia crie espaços não só na frente da linha defensiva, mas também por trás. Foi o que pedi a ele e foi o que aconteceu".
. Comportamento tranquilo: "Acho que a idade me permite criar maturidade. São muitos anos treinando jogadores em vários clubes. Controlo a emoção, não do jogo que eu vivo, mas de decidir na loucura. O que é muito bom hoje, amanhã é muito ruim. Essa maturidade, 30 anos de carreira, me permite olhar para as coisas com melhor equilíbrio. Mesmo em termos pessoais. Costumo dizer a quem trabalha comigo que eu tiro um dia de luto quando o time não ganha. No dia seguinte, não falem comigo porque é meu dia de luto. Esse dia serve para que no dia seguinte eu tenha energia para dar a quem trabalha comigo. Essa é a minha ideia. Um clima positivo ajuda o trabalho de todo mundo. Claro que sou exigente e rigoroso, mas de uma forma que tem que ser educado e de fazer as pessoas entenderem o que é profissionalismo".
"Profissionalismo não é gritar, falar alto. É fazer o nosso melhor a cada dia e momento. É isso que eu peço aos meus jogadores e a quem trabalha comigo. Talvez seja a idade que me permite esta abordagem às coisas de forma menos emocional. Com certeza fico triste quando perco, você vê no último dia. Às vezes temos que chamar as coisas pelos nomes, mas não gosto de estar fora de mim em termos emocionais. Quando você sai do equilíbrio, diz besteiras que no dia seguinte vai se arrepender".
. Estratégia para o jogo: "A estratégia foi a mesma do que há três dias ou há seis dias: não deixar jogar. Na nossa casa, temos que nos impor, não podemos dar confiança ao adversário. Criamos muitas chances, como criamos contra o Cusco e contra o Palmeiras, quando estava 11 contra 11. Roubamos bolas na saída deles, poderíamos ter feito mais gols por detalhes. Acredito que os jogadores estão se esforçando para criar, para recuperar a bola como equipe. Quando cheguei, diziam que tinham jogadores que não pressionavam. Nossos jogadores pressionam, e isso é importante. Somos uma equipe grande, não podemos deixar a equipe adversária pensar. Os jogadores estão entendendo esse pensamento".
. Perfil ideal para um novo atacante do Flamengo: "Se tivesse que escolher um atacante para a equipe, se essa fosse a prioridade, eu iria escolher um meio a meio entre Pedro e Bruno, para ficar com três soluções dentro da estrutura. É um pouco o que o Lino faz também. Foi muito bom esse jogo, para percebemos que temos mais uma solução como meia avançado ou segundo atacante. Nosso lado esquerdo está sobrecarregado, temos muita gente que gosta de jogar daquele lado. No lado direito temos menos gente. Gosto de um plantel equilibrado. Se eu tivesse que escolher, teria três atacantes diferentes. Não quero um igual ao Pedro ou igual ao Bruno, porque já temos ele".
. Recuperação de Lino e Plata: "Quando eu falava do casamento entre dois jogadores, que cada um tem sua característica, eram Lino e Pedro, por exemplo. Como treinador, tenho que observar, saber as características e conseguir colocá-los em um bom ambiente para desenvolvê-las melhor. Lino e Plata, por motivos diferentes, por vezes não estavam no melhor habitat para desenvolver suas características. O Plata por estar saindo fora daquilo que eram as regras da equipe. Em um primeiro período ele ficou de fora e depois começou a fazer aquilo que a gente queria. Por isso o seu crescimento. E o Lino porque deixou de jogar em cima da linha e passou a se envolver em outros movimentos que gosta, de atacar espaço, de buscar. Isso permitiu a evolução dentro do seu habitat natural. Não é o treinador que é importante na performance dos jogadores. Eles que tem capacidade de perceber as ideias e se colocar no melhor nível. E foi isso que aconteceu tanto com o Plata quanto o Lino".
. Vão buscar jogadores jovens?: "Queremos trazer jogadores que não temos, em termos de características, ou melhores ou do mesmo nível com mais saúde. Isso vai dentro daquilo que é o planejamento de todas as grandes equipes. Jogadores que possam competir por muito tempo, sejam jovens ou não. Para o nosso plantel, jogadores de 25 anos são jovens. Jogadores para médio prazo ou o futuro próximo. Essa é uma ideia que tenho passado para a direção. Não é uma ideia da equipe do Jardim, é a ideia de qualquer equipe".

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.