Fábio Júnior espera brilhar no GP do Turris Invitational (Foto: Reprodução)

Aos 16 anos, Fábio Júnior já aprendeu uma das lições mais difíceis do esporte: querer vencer não é suficiente. Depois de transformar as primeiras derrotas em combustível para treinar cada vez mais, o jovem de Carmo do Cajuru, em Minas Gerais, percebeu que precisava mudar não apenas sua técnica, mas também a maneira de lidar com a competição.

Faixa-azul da equipe Pantera Negra, Fábio começou a treinar quando um professor passou a oferecer aulas de Jiu-Jitsu em sua cidade. A identificação com o esporte foi imediata. Apenas quatro meses depois, decidiu competir e terminou sua primeira experiência com a segunda colocação.

A reação inicial foi aumentar ainda mais o ritmo de treinos. Vieram vitórias, títulos e uma sequência positiva, mas também novas derrotas. Uma delas, no Campeonato Brasileiro da CBJJ, terminou com o terceiro lugar e provocou uma mudança importante na forma como o jovem enxergava o esporte.

“Entendi que não adiantava só querer ganhar, porque a outra pessoa também quer. Se continuasse com aquele pensamento, talvez pudesse até parar de treinar por causa do orgulho”, relembrou.

A mudança de perspectiva não diminuiu sua competitividade. Pelo contrário. Fábio Junior voltou a acumular bons resultados e passou a ganhar espaço, especialmente nas competições sem kimono.

Entre seus principais resultados estão o título brasileiro do ADCC, o ouro no ADCC Open Petrópolis na categoria avançada de 15 a 17 anos e o terceiro lugar no ADCC Trials Youth. O mineiro também testou seu nível entre os adultos e terminou na terceira colocação no ADCC Open Petrópolis.

No circuito estadual, manteve uma sequência igualmente consistente. Segundo informações apresentadas pelo atleta, foram dez etapas disputadas na FMJJ com dez medalhas de ouro, além de dois títulos mineiros consecutivos de forma invicta.

Em 2026, Fábio tomou uma decisão importante para a continuidade da carreira: passou a concentrar seus treinamentos e competições exclusivamente no No-Gi, modalidade na qual vem buscando desafios cada vez maiores.

A nova fase coincidiu com a chegada de apoios que passaram a ajudar na participação em competições. Entre eles está Eduardo Turris, citado pelo atleta como uma das pessoas que contribuíram para ampliar sua presença no circuito.

Apesar da evolução e da maior exposição, Fábio Junior faz questão de dividir os méritos com quem acompanha sua formação desde o início.

“Tenho muito a agradecer ao meu pai e ao meu professor Samuel, que me deixou no nível em que estou hoje. Sem eles não seria possível estar aqui.”

O próximo desafio será no Rio de Janeiro. Fábio foi confirmado no GP No-Gi até 75 kg do Turris Invitational, evento marcado para acontecer no dia 14 de novembro, na Upper Arena.

Mais do que a participação em um novo evento, o convite representa outro passo em uma trajetória que ainda está no início, mas já demonstra maturidade. Aos 16 anos, o jovem atleta deixou de enxergar a derrota como algo a ser evitado a qualquer custo e passou a tratá-la como parte do processo de evolução.