Encontro reuniu especialistas e técnicos de todo o estado para debater os desafios da arborização urbanaFoto: Moisés Bruno H. Santos

Macaé - O 8º Encontro Fluminense de Arborização Urbana terminou nesta sexta-feira (05), com a sensação de que Macaé começa a ocupar um espaço de protagonismo no tema. A cidade recebeu técnicos de 14 municípios, pesquisadores e profissionais que lidam diariamente com o desafio de manter áreas verdes vivas, funcionais e adaptadas ao crescimento urbano. A programação foi encerrada no Mercure Hotel com debates que misturaram análises técnicas e reflexões sobre o que ainda precisa avançar.
O encontro, promovido pela Apeferj e pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, ganhou ainda mais peso após o anúncio de que Macaé será a sede do Encontro Regional Sudeste de Arborização Urbana em 2026. O reconhecimento chega em um momento de fortalecimento das políticas ambientais locais e, principalmente, da consolidação do Manual de Arborização Urbana de Macaé, apontado por profissionais como referência para outras cidades.
A mesa que discutiu financiamento, erros, acertos e caminhos possíveis na arborização urbana reuniu representantes de Miguel Pereira, Campos dos Goytacazes e Macaé. O debate trouxe relatos sinceros sobre escolhas equivocadas de espécies, dificuldades de manejo, falta de integração entre setores públicos e a necessidade urgente de profissionalizar as equipes que atuam no campo do urbanismo verde.
O secretário de Ambiente, Sustentabilidade e Clima, Phelipe Salgado, destacou que a troca entre os municípios fortaleceu soluções práticas. Ele ressaltou que os desafios são parecidos, independentemente do porte da cidade, e que a construção coletiva do conhecimento ajuda a corrigir rumos. O lançamento do Manual de Arborização Urbana foi lembrado como marco técnico e político.
A engenheira florestal Alessandra Veloso apresentou detalhes da Lei Municipal de Gestão da Arborização Urbana, em vigor desde 2007, que definiu diretrizes sobre plantio, corte, compensações, parcelamento do solo e organização dos projetos urbanos. Segundo ela, a legislação estruturou de forma definitiva a política municipal e elevou o nível das ações.
Representando Campos dos Goytacazes, o coordenador de Educação Ambiental Luiz Mose compartilhou experiências do projeto Vias Verdes e alertou para erros comuns na escolha de espécies. Ele também citou a criação de pequenos bosques como alternativa para ampliar sombra, qualidade do ar e biodiversidade.
Além das trocas técnicas, o evento também jogou luz sobre avanços consolidados em Macaé. Entre eles, a criação da Área de Preservação Ambiental Rio Novo, o Corredor Ecológico, ações de recomposição da restinga, revisão do Plano de Saneamento, ampliação da rede de esgoto, fortalecimento da coleta seletiva e expansão do paisagismo urbano. O minicurso final, que tratou da avaliação de árvores com uso de drones, reforçou a modernização dos processos de manejo.
O encontro terminou com expectativa positiva e com a impressão de que a arborização urbana, quando bem planejada, é capaz de transformar a relação entre cidade e natureza.