Clínica da Obesidade de Macaé combina acompanhamento médico, alimentação equilibrada e suporte multiprofissional no tratamento da doençaFoto: Divulgação

Macaé - Para quem convive com a obesidade, perder peso pode representar muito mais do que uma mudança na balança. Pode significar voltar a caminhar com menos dificuldade, recuperar a autoestima, controlar doenças associadas e até mesmo retomar atividades que pareciam distantes. É com essa perspectiva que Macaé mantém uma Clínica da Obesidade que oferece tratamento gratuito e inclui, dentro de critérios clínicos, a semaglutida, medicamento conhecido popularmente como caneta emagrecedora.

O serviço municipal é, segundo as informações apresentadas pela rede de saúde, o único do Estado do Rio de Janeiro, além da capital, a disponibilizar gratuitamente a medicação para pacientes que atendem ao protocolo clínico. Atualmente, cerca de 800 pessoas estão cadastradas na clínica, onde o tratamento não se resume ao uso do medicamento.

A proposta reúne reeducação alimentar, acompanhamento médico e suporte de profissionais de diferentes áreas. Nutrição, Endocrinologia, Psicologia, Cirurgia Bariátrica e Assistência Social integram a estrutura de atendimento.

Clínica da Obesidade de Macaé combina acompanhamento médico, alimentação equilibrada e suporte multiprofissional no tratamento da doença - Foto: Divulgação
Clínica da Obesidade de Macaé combina acompanhamento médico, alimentação equilibrada e suporte multiprofissional no tratamento da doençaFoto: Divulgação
Uma das pacientes é Marilza de Oliveira Nascimento Rodrigues. Quando chegou ao serviço, pesava 150 quilos. Com acompanhamento profissional, mudanças na alimentação e uso da medicação indicada para o seu caso, ela chegou aos 130 quilos. A diferença de 20 quilos trouxe efeitos que vão muito além do número registrado na balança.

Marilza voltou a se movimentar melhor e relata melhora na autoestima. A mudança também passou pela relação com a comida. Refrigerantes e o excesso de açúcar deram espaço a escolhas mais equilibradas.

"Sem a clínica, eu não teria condições de pagar pelo tratamento e pelos medicamentos. Hoje tenho mais mobilidade, minha autoestima está melhorando e aprendi a cuidar da minha alimentação. Para quem está começando, digo que não desista. É preciso persistir e aprender a dizer não às tentações", contou.

O acesso à clínica segue critérios definidos pela rede municipal. São encaminhados pacientes acompanhados por nutricionistas da rede pública que apresentam IMC acima de 40 ou superior a 35 quando há doenças associadas, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos.

Antes de receber a semaglutida, o paciente passa por acompanhamento. O medicamento não é liberado automaticamente e depende de avaliação individual, histórico clínico e cumprimento das regras estabelecidas no protocolo. A utilização ocorre dentro de um plano de cuidado que considera as necessidades e as condições de cada pessoa.

Segundo a nutricionista Ludmila Gobo Meirelles, o trabalho busca transformar a rotina do paciente e não apenas reduzir o peso.

"Nosso objetivo é promover a autonomia do paciente e ajudá-lo a ressignificar sua relação com a comida. O tratamento busca não apenas a perda de peso, mas também a manutenção dos resultados e a melhora da saúde e da qualidade de vida", explicou.

O acompanhamento também pode apontar outros caminhos. Dependendo da avaliação clínica, o paciente pode ser encaminhado para cirurgia bariátrica. A decisão considera as características de cada caso e não ocorre de forma automática.

A porta de entrada para o programa está nas unidades de referência da rede municipal. O primeiro passo é procurar um nutricionista da Estratégia de Saúde da Família ou da Unidade Básica de Saúde responsável pelo atendimento da região.

Para Gabriella Coelho, coordenadora da Clínica da Obesidade, o diferencial está justamente na continuidade do cuidado.

"A proposta é acolher cada paciente de forma individualizada e oferecer as ferramentas necessárias para mudanças que possam ser mantidas ao longo da vida", afirmou.

A obesidade é uma doença crônica e, por isso, o tratamento exige acompanhamento de longo prazo. A semaglutida e a cirurgia bariátrica podem ser ferramentas importantes quando há indicação profissional, mas não substituem a mudança de hábitos nem garantem, sozinhas, resultados permanentes.

Na prática, a proposta da clínica é tratar a pessoa por inteiro. A perda de peso é parte do processo, mas o objetivo final envolve saúde, autonomia, mobilidade e qualidade de vida.

"Nosso trabalho busca ir além dos números da balança, promovendo autonomia, saúde e qualidade de vida. Mais do que perder peso, queremos que cada paciente compreenda a importância de cuidar da saúde de forma contínua e sustentável", destacou a equipe.

Clínica da Obesidade de Macaé combina acompanhamento médico, alimentação equilibrada e suporte multiprofissional no tratamento da doença - Foto: Divulgação
Clínica da Obesidade de Macaé combina acompanhamento médico, alimentação equilibrada e suporte multiprofissional no tratamento da doençaFoto: Divulgação