Macaé recebe lançamento do recorte regional do Anuário do Petróleo no Rio, com debate sobre os caminhos da indústria de energia no Norte FluminenseFoto: Ilustração

Macaé - O petróleo voltou a colocar o Norte Fluminense no centro das atenções da indústria de energia. Com produção em alta, novos operadores, investimentos em campos maduros e bilhões de reais movimentados em royalties e participações especiais, a região vive uma nova fase do setor. É nesse cenário que Macaé recebe o lançamento do Recorte Regional Norte Fluminense da 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio.
O encontro será realizado pela Firjan SENAI SESI na unidade de Macaé e reunirá lideranças empresariais, especialistas e autoridades para discutir os caminhos da cadeia produtiva de petróleo e gás, além da infraestrutura necessária para sustentar o avanço das operações na região.
O anuário apresenta um retrato detalhado da indústria no Estado do Rio de Janeiro e reúne informações sobre geopolítica, novas fronteiras exploratórias, produtores independentes, inovação offshore e os impactos econômicos e sociais provocados pela atividade petrolífera.
A publicação também mostra a dimensão da retomada do setor no território fluminense. Em 2025, o Estado do Rio de Janeiro produziu 1,2 bilhão de barris de petróleo, uma média de 3,3 milhões de barris por dia. O volume representou crescimento de 13% em relação ao ano anterior e correspondeu a 88% da produção brasileira.
Na Bacia de Campos, tradicionalmente ligada à história de Macaé e do Norte Fluminense, a média diária chegou a 741 mil barris em 2025, alta de 9%. O movimento de recuperação continuou nos primeiros sete meses de 2026, quando a produção ficou 11% acima do mesmo período do ano anterior.
A transformação também aparece no perfil das empresas que atuam na região. A Bacia de Campos passou por uma mudança na distribuição dos ativos, com a entrada e expansão de operadores independentes.
Em 2010, a Petrobras detinha 90% dos campos na porção fluminense da bacia. Em 2026, a participação caiu para cerca de 40%, enquanto os outros 60% estão sob gestão de quatro operadoras privadas independentes. Essas empresas passaram a investir na extensão da vida útil de campos maduros e ajudaram a movimentar novamente uma área considerada estratégica para a indústria nacional.
O impacto ultrapassa as plataformas e chega diretamente aos cofres públicos. Em 2025, royalties e participações especiais relacionados à produção de petróleo e gás somaram R$ 30,2 bilhões em royalties e R$ 14,7 bilhões em participações especiais destinados ao Estado e aos municípios.
Somente os municípios do Norte Fluminense receberam aproximadamente R$ 3 bilhões desse montante. Até junho de 2026, as prefeituras da região já haviam arrecadado 56% do total obtido em todo o ano anterior, resultado associado ao crescimento da produção e à variação do preço do barril no mercado internacional.
Para o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, o momento exige atenção ao potencial econômico do petróleo, mas também planejamento para que a atividade produza benefícios duradouros.
“O petróleo é uma alavanca importante de desenvolvimento, mas é fundamental proteger as regiões produtoras, garantir uma compensação justa pelas externalidades e criar um ambiente favorável à instalação da indústria, com benefícios para toda a sociedade”, afirmou.
Além dos números da produção e da arrecadação, o encontro apresentará o Mapa do Petróleo no Rio de Janeiro, uma plataforma digital interativa que reúne informações sobre a infraestrutura relacionada ao setor.
A gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, Karine Fragoso, destaca que o anuário busca aproximar dados, análises e perspectivas de diferentes setores envolvidos com a indústria.
“O Anuário do Petróleo reúne análises e perspectivas de instituições públicas, empresas, associações e especialistas sobre os desafios e oportunidades que devem moldar o futuro da indústria de petróleo, gás natural e energia nos próximos anos. A iniciativa amplia o acesso à informação e oferece uma visão integrada da infraestrutura que sustenta a liderança fluminense na indústria nacional de petróleo”, afirmou.
O lançamento em Macaé também terá espaço para uma discussão sobre o futuro da cadeia de petróleo e gás natural. O painel será mediado por Karine Fragoso e contará com apresentações de Carlos Augusto Pacheco, da EPE, e Eduardo Gerk, da Seenemar.
A proposta é colocar na mesma mesa dados de produção, perspectivas de investimento, infraestrutura e os novos movimentos de um mercado que passa por mudanças importantes.
Para Macaé e o Norte Fluminense, o debate ganha um significado especial. A região acompanha uma nova etapa da indústria que ajudou a transformar sua economia e segue como uma das principais bases da produção de petróleo do país.
O encontro, portanto, não trata apenas do que o setor já representa. A discussão mira os próximos anos e os desafios para manter investimentos, ampliar oportunidades, fortalecer fornecedores e transformar a riqueza produzida no mar em desenvolvimento sustentável em terra.