Trabalhadores se concentram no Aeroporto de Macaé durante o início da greveFoto: Reprodução da Internet

Uma negociação que não chegou a um acordo terminou em mobilização. Trabalhadores de manutenção e montagem industrial iniciaram, nesta sexta-feira (18), uma greve por tempo indeterminado em Macaé e em outras cidades do Norte Fluminense. O movimento também alcança, segundo o sindicato responsável pela convocação, trabalhadores que atuam em unidades offshore da Bacia de Campos.

A paralisação começou às 7h30, com concentração no Aeroporto de Macaé. A categoria é representada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial, Construção Civil e do Mobiliário, Ladrilhos, Hidráulicos, Produtos de Cimento, Mármores, Granitos, Engenharia Consultiva, Montagens Industriais, Manutenção e Limpezas Industriais, inclusive nas Plataformas Marítimas da Bacia de Campos (SINTPICC).

O movimento foi aprovado em Assembleia Geral Extraordinária, após os trabalhadores rejeitarem uma proposta apresentada pelo Sindicato das Empresas de Engenharia de Montagem e Manutenção Industrial do Rio de Janeiro (SINDEMON) durante as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027. Segundo o SINTPICC, a tentativa de acordo terminou sem consenso e a categoria decidiu cruzar os braços por tempo indeterminado.

A convenção coletiva atualmente registrada para 2026/2027 tem vigência de 1º de maio de 2026 a 30 de abril de 2027 e abrange trabalhadores de montagem industrial, manutenção e outras atividades relacionadas em municípios como Macaé, Carapebus, Conceição de Macabu e Quissamã.

Trabalhadores se concentram no Aeroporto de Macaé durante o início da greve - Foto: Reprodução da Internet
Trabalhadores se concentram no Aeroporto de Macaé durante o início da greveFoto: Reprodução da Internet
Paralisação alcança trabalhadores em terra e no mar
O tamanho da mobilização ajuda a explicar a atenção que a greve passou a provocar no setor. A representação do SINTPICC inclui trabalhadores de Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus, além de profissionais que atuam em unidades marítimas da Bacia de Campos.

De acordo com o sindicato, a paralisação envolve atividades onshore e offshore. A entidade também divulgou uma relação de plataformas que, segundo suas informações, teriam trabalhadores envolvidos no movimento.

A lista apresentada pelo SINTPICC inclui P-69, P-31, P-52, PGP-1, UMCP, P-68, P-67, P-62, UMPA, P-25, P-09, P-56, P-70, P-74, P-75, P-77, PNA1, PCH1, PCH2, UMPC, UMAR, P-51, P-43, Sayan Polaris, UMTJ, P-Merluza e ADG, conhecida como Alexandre de Gusmão.

A relação das unidades e a informação sobre a paralisação são atribuídas ao próprio sindicato. A mobilização também foi registrada em publicação jornalística sobre o início da greve nesta sexta-feira, que aponta o impasse nas negociações da CCT 2026/2027 como motivo para a deflagração do movimento.

O SINTPICC afirma que a greve busca pressionar pela retomada das negociações e por avanços nas reivindicações apresentadas pela categoria. Entre os pontos citados pela entidade estão valorização profissional, manutenção de direitos e melhores condições de trabalho.

Impasse coloca nova convenção no centro da disputa
A origem da paralisação está na negociação da nova convenção coletiva. O calendário da categoria estabelece 1º de maio como data-base, enquanto o instrumento registrado para 2026/2027 prevê vigência até abril do próximo ano.

Segundo o SINTPICC, a proposta apresentada pelo setor patronal não foi aceita pelos trabalhadores durante a assembleia que decidiu pela greve. A entidade afirma que pretende manter a mobilização até que exista uma nova possibilidade de negociação.

A paralisação não tem prazo definido para terminar. Isso significa que os próximos passos dependerão da evolução das conversas entre as entidades representantes dos trabalhadores e das empresas.

O cenário também ocorre em uma região diretamente ligada à indústria de petróleo e gás. Macaé concentra parte importante da estrutura de apoio às operações da Bacia de Campos, o que faz com que movimentos envolvendo trabalhadores de manutenção e montagem industrial tenham repercussão além dos locais onde os profissionais estão diretamente empregados.

Sindicato orienta trabalhadores sobre direito de greve
O SINTPICC também divulgou orientações relacionadas à condução da paralisação. A entidade afirma que eventuais situações de ameaça, pressão, assédio, intimidação ou coerção contra trabalhadores que aderirem ao movimento serão documentadas e encaminhadas aos órgãos competentes.

O direito de greve é regulamentado pela Lei nº 7.783/1989. A legislação estabelece regras para a paralisação coletiva e prevê responsabilidades para trabalhadores, sindicatos e empregadores durante o movimento.

A norma também estabelece procedimentos específicos para atividades consideradas essenciais e determina a manutenção dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

No caso da mobilização iniciada nesta sexta-feira, as informações sobre adesão, plataformas atingidas e extensão da paralisação são, neste momento, atribuídas ao SINTPICC.

O que acontece agora
Com a greve aprovada por tempo indeterminado, a retomada do diálogo passa a ser um dos principais pontos de atenção. O sindicato dos trabalhadores afirma que pretende pressionar as empresas para que as negociações sejam retomadas e que o impasse seja solucionado.

Enquanto isso, a categoria mantém a mobilização iniciada no Aeroporto de Macaé. A paralisação reúne profissionais de diferentes áreas da manutenção e montagem industrial e, conforme informado pelo SINTPICC, alcança trabalhadores que atuam tanto em terra quanto em unidades marítimas.

A equipe de reportagem do jornal O DIA também tenta contato com o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) para comentar a paralisação e ampliar as informações sobre os impactos do movimento entre os trabalhadores do setor. O sindicato mantém sede em Macaé e representa trabalhadores ligados à indústria de petróleo na região.

Até o momento, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação. A matéria segue em atualização.