O cenário ajuda a explicar por que o combate não pode depender apenas da queda dos números. Segundo o Centro de Controle de Zoonoses, mais de 90% dos focos encontrados em Macaé estão dentro das residências. É justamente nesses espaços, muitas vezes em objetos que passam despercebidos na rotina, que a prevenção ganha importância.
De janeiro a agosto, cerca de 120 agentes da equipe de vigilância realizaram 225.548 vistorias em imóveis do município. O trabalho também incluiu 80 mutirões em áreas consideradas mais críticas, definidos a partir dos indicadores acompanhados pelas equipes.
Com as chuvas mais frequentes, a orientação é redobrar a atenção para quintais, vasos de plantas, pneus, baldes, garrafas, caixas-d'água e qualquer recipiente que possa acumular água.
“A partir do momento em que chove mais e tem um pouco mais de calor, o desenvolvimento do mosquito é mais rápido. A fêmea se predispõe a colocar mais ovos. A verdade é que em nenhum período a gente deve relaxar, mas, em um período de chuva, a gente intensifica mais as ações justamente por essa questão”, explica o supervisor do Centro de Controle de Zoonoses de Macaé, Márcio Santos Santana.
Chuva muda rotina das equipes de combate A rotina de fiscalização não para quando os números de casos diminuem. As vistorias fazem parte do trabalho permanente das equipes, enquanto os mutirões são acionados de acordo com sinais que indicam maior necessidade de intervenção em determinada região.
Um desses indicadores é a confirmação de casos da doença. Outro vem das chamadas ovitrampas, armadilhas instaladas em alguns imóveis para atrair as fêmeas do mosquito. Quando os agentes encontram ovos nesses dispositivos, o resultado serve como sinal da presença do Aedes aegypti naquela área.
“As vistorias fazem parte da rotina, mas temos outras ações pontuais, como os mutirões, que são realizados de acordo com alguns indicadores. Um deles é a confirmação de algum caso da doença em uma região e outro tem a ver com as armadilhas chamadas ‘ovitrampas’, que são colocadas em alguns imóveis para atrair as fêmeas do mosquito. Se detectarmos a presença de ovos, sabemos que o Aedes aegypti está presente ali”, destaca o supervisor.
O trabalho de campo é acompanhado pelo monitoramento dos indicadores epidemiológicos e pela orientação aos moradores. A estratégia busca identificar possíveis criadouros antes que eles contribuam para ampliar a circulação do mosquito.
A queda dos casos registrada neste ano aparece como um dos resultados do conjunto de ações de prevenção e controle. Mesmo assim, a redução não significa que o risco tenha desaparecido.
O período de chuvas exige justamente o contrário: mais atenção aos pequenos detalhes dentro de casa. Um recipiente esquecido no quintal, uma planta com água acumulada ou uma garrafa deixada na posição errada podem se transformar em pontos de reprodução do mosquito.
Dez minutos podem fazer diferença A prevenção também depende da participação dos moradores. A orientação faz parte da campanha nacional “10 Minutos Salvam Vidas”, que incentiva uma vistoria rápida nos espaços da casa para identificar e eliminar possíveis criadouros.
A proposta é simples: reservar alguns minutos para olhar o quintal, conferir os vasos de plantas, verificar recipientes, observar pneus e garantir que a caixa-d'água esteja devidamente vedada.
“Esses 10 minutos buscam orientar os moradores a fazer essa vistoria e tomar as medidas necessárias. Vou ao meu quintal, vou verificar se o meu prato de planta tem água, coloco a areia, vejo se minha caixa-d’água está vedada… Se, de repente, tomar uma cervejinha no fim de semana, esquecer a garrafa ali virada para cima, colocar a garrafa virada para baixo, pneus também…”, orienta Márcio Santos Santana.
Para quem tem muitas plantas em casa, a atenção precisa ser ainda maior. Pratinhos sob vasos, folhas acumuladas e pequenos recipientes podem esconder água sem que o morador perceba.
A aposentada Maria da Glória Luz conhece bem essa rotina. Com muitas plantas no quintal, ela incorporou a verificação dos possíveis criadouros ao dia a dia.
“Não deixo nada com o pratinho e estou sempre vendo se tem alguma folha que também acumula; tampinha, nem pensar; balde, nunca… Eu faço por onde não deixar nada que dê chance pros mosquitos. Procuro não deixar nada acumulado para que não haja problemas tanto na minha casa como na casa do vizinho.”
Os números mostram uma queda expressiva da dengue em Macaé, mas o cenário das chuvas reforça que a prevenção precisa continuar. Entre janeiro e agosto, foram 70 casos registrados, diante dos 579 contabilizados no mesmo período do ano passado.
A diferença é significativa, mas o combate ao mosquito depende de uma rotina que começa dentro de cada imóvel. Para as equipes de vigilância, a missão é localizar e eliminar focos. Para os moradores, muitas vezes, bastam alguns minutos de atenção para impedir que água parada vire o ponto de partida de um novo criadouro.
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