Salários, escala e benefícios: greve offshore chega ao TRT nesta quartaFoto: Divulgação/SINTPICC

A quarta-feira, 23, será decisiva para os rumos da greve dos trabalhadores de manutenção e montagem industrial na Bacia de Campos. Às 15h, representantes dos trabalhadores e do setor patronal terão uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, o TRT-1, no Centro do Rio de Janeiro. Enquanto as partes se preparam para a tentativa de acordo, a mobilização ganhou novas adesões e, segundo o SINTPICC, já alcança cerca de 30 unidades offshore, além de frentes de trabalho e instalações em terra.

Iniciada na sexta-feira, 18, a paralisação ocorre por tempo indeterminado e envolve profissionais representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial, Construção Civil e do Mobiliário, o SINTPICC, em Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus.

A lista divulgada pelo sindicato inclui platafor'mas e unidades como P-69, P-31, P-52, PGP-1, UMCP, P-68, P-67, P-62, UMPA, P-25, P-09, P-56, P-70, P-74, P-75, P-77, PNA-1, PCH-1, PCH-2, UMPC, UMAR, P-51, P-43, Sayan Polaris, UMTJ, P-Merluza e ADG, entre outras.

O próprio sindicato faz uma ressalva importante: a presença de uma unidade na relação não significa que toda a operação da plataforma esteja parada. O registro representa informação de adesão ou paralisação de trabalhadores vinculados ao movimento.

Em terra, a mobilização também avançou. O SINTPICC informou registros de adesão entre trabalhadores ligados às empresas e frentes de trabalho EKTOR, APJ, C3, Servmar e Ocyan. Também foram registrados movimentos no Terminal de Cabiúnas e no Parque de Tubos, em Macaé.

Salários, escala e benefícios: greve offshore chega ao TRT nesta quarta - Foto: Divulgação/SINTPICC
Salários, escala e benefícios: greve offshore chega ao TRT nesta quartaFoto: Divulgação/SINTPICC
Audiência no TRT tenta destravar negociação
O conflito chegou à Justiça do Trabalho depois do impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027. A audiência desta quarta-feira será uma tentativa de construir um acordo entre o sindicato e o setor patronal.

O encontro será presencial, às 15h, no Fórum Ministro Arnaldo Süssekind, sede do TRT-1, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio de Janeiro.

Segundo despacho judicial divulgado pelo SINTPICC, caso não haja acordo entre as partes, o Tribunal deverá analisar um pedido de tutela de urgência apresentado no processo.

A eventual construção de uma proposta durante a audiência também poderá levar a negociação de volta para a categoria. O sindicato informou que, caso haja avanço, deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para que os trabalhadores avaliem o resultado.

Até o momento, a paralisação permanece por tempo indeterminado. O número de unidades envolvidas ainda pode mudar, já que o sindicato afirma que os dados são atualizados conforme recebe e confirma novas informações.

A Petrobras informou que acompanha as negociações entre as empresas contratadas e os trabalhadores. A estatal afirmou ainda que adotou medidas para garantir a continuidade dos serviços a bordo e declarou que as plataformas em produção continuam operando normalmente, sem impacto na produção ou no abastecimento.

Salários, escala e benefícios: greve offshore chega ao TRT nesta quarta - Foto: Divulgação/SINTPICC
Salários, escala e benefícios: greve offshore chega ao TRT nesta quartaFoto: Divulgação/SINTPICC
Salário, benefícios e escala estão no centro do impasse
O que está em discussão vai além do reajuste salarial. A pauta apresentada pelo SINTPICC reúne mudanças em salários, benefícios, escala de trabalho e condições previstas na Convenção Coletiva.

Entre as principais reivindicações estão reajuste de 15% nos pisos salariais, aumento de 15% no ticket-refeição, cesta básica de R$ 1 mil e cesta natalina de R$ 500.

A proposta apresentada pelo setor patronal prevê reajuste de 6,5% nos pisos, aumento de 10% no ticket-refeição, cesta básica de R$ 786,01 e cesta natalina de R$ 120.

A escala dos profissionais offshore também está no centro das negociações. O sindicato reivindica a adoção do regime 14 por 21, com 14 dias de trabalho embarcado e 21 dias de folga.

Outro ponto da pauta é a retirada da coparticipação do plano de saúde. A categoria também reivindica a manutenção da cesta básica por seis meses durante afastamentos e alterações nas regras relacionadas aos chamados dias de dobra.

Há ainda diferenças nos valores de dois pisos profissionais que, segundo as informações apresentadas pelo sindicato, o setor patronal teria concordado em incluir na Convenção Coletiva.

Para Auxiliar Administrativo, a reivindicação é de R$ 2.400, enquanto a proposta patronal é de R$ 1.997,42. Para Supervisor, o valor defendido pelo sindicato é de R$ 6.709, contra R$ 5.424,38 apresentados pelo setor patronal.

Além das questões econômicas, o SINTPICC informou ter recebido relatos de possíveis pressões e constrangimentos contra trabalhadores durante a paralisação. Segundo a entidade, os casos estão sendo analisados individualmente e encaminhados ao setor jurídico. Até o momento, os relatos não foram confirmados pelas autoridades.

Com a greve ampliada e uma audiência marcada no Tribunal, as atenções se concentram agora na mesa de conciliação. O encontro poderá abrir uma nova rodada de negociação entre trabalhadores e empresas e, dependendo do resultado, levar a categoria a decidir os próximos passos do movimento.