Magé realiza ato em resposta ao vandalismo contra busto de Maria CongaDivulgação
A ação é uma resposta ao segundo ataque contra o busto da quilombola no Píer de Piedade, que ocorreu às vésperas do feriado de Zumbi dos Palmares e Dia da Consciência Negra, quando vandalizaram a instalação colocada pela Prefeitura em 2021. No primeiro ato, ao som da Associação de Capoeira Projeto Farol da Bahia, foi colocada a nova placa no busto que conta a história e significado da guerreira quilombola que é símbolo de resistência, liderança feminina, acolhimento e inspiração que gerou as comunidades do entorno. A estrutura do busto agora conta com uma intervenção do artista plástico que vive na cidade, Paulo Garrot, dando um destaque ainda maior à paisagem turística do Píer de Piedade.
E as organizações Movimento Negro Unificado, Instituto Internacional Carta Magna da Umbanda, entre outras lideranças religiosas de matrizes africanas se uniram nesse ato de enfrentamento. Ana Claudia Torres, representando o Ilê Axé Omi Mimo, destacou a representatividade diversa da histórica líder quilombola.
A segunda etapa do ato foi no Centro do primeiro distrito, no obelisco que marca o Memorial do Pelourinho de Magé na Avenida São José de Anchieta, em frente à Fundação de Cultura e Turismo. Esse é um marco instalado na época pelo Padre José Luiz Montesano e remonta o possível local onde estava situado o pelourinho e também tem sua representatividade sobre a história dos escravizados que participaram ativamente da construção de Magé. O historiador mageense Carlito Lopes contou sobre o simbolismo do local e aproveitou o momento para refletir.
Os momentos marcaram o encerramento das comemorações, mas ficam para todos os dias as reflexões que levantam o mês da Consciência Negra.
A vice-prefeita, Jamille Cozzolino, aproveitou o evento para anunciar uma novidade.
O busto é uma obra da artista mageense Cristina Febrone e exalta a história dessa líder guerreira. Maria Conga chegou ao Brasil escravizada e retirada de seu país de origem, o Congo. Ela nasceu em 1792, filha de um rei africano, mas foi embarcada em um navio negreiro que a trouxe para a Bahia em 1804. Aos 18 anos, Maria Conga foi vendida a um senhor de engenho de Magé e, aos 24 anos, foi comercializada novamente. Teve sua alforria decretada aos 35 anos, quando fundou o quilombo Maria Conga, reconhecido pela Fundação Palmares na cidade, para proteger, ajudar e cuidar dos negros que fugiam das senzalas da região. Ambos os locais são abertos ao público para visitação.


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