Confira quais são as acusações de corrupção contra Netanyahu, aliado internacional de Bolsonaro

Primeiro-ministro de Israel disputa o quarto mandato consecutivo em eleições na próxima semana, sob suspeitas de corrupção, suborno, fraude e quebra de confiança através de acordos com milionários e empresas de comunicação israelenses

Por *LUIZ FRANCO

Benjamin Netanyahu antecipou as eleições de Israel e só deverá ser indiciado pela Procuradoria-Geral do país em julho
Benjamin Netanyahu antecipou as eleições de Israel e só deverá ser indiciado pela Procuradoria-Geral do país em julho -

Rio - Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é um dos maiores aliados políticos internacionais de Jair Bolsonaro. Ele veio ao Rio de Janeiro ainda no final de dezembro e foi o primeiro líder a visitar o recém-eleito presidente, sendo também uma das maiores estrelas da cerimônia de posse. Bolsonaro, por sua vez, desembarcou em Israel no último final de semana, estreitando ainda mais as relações com o primeiro-ministro. Os dois líderes chegaram a conversar, por vídeo, com os brasileiros Neymar e Gabriel Medina, que chamaram o israelense de "Bibi" – apelido para Benjamin. Netanyahu, no entanto, enfrenta sérias acusações de corrupção em seu país, Israel.

O primeiro-ministro é investigado há mais de um ano e deverá ser indiciado pela Procuradoria-Geral de Israel em três casos diferentes de corrupção, pelos crimes de suborno, fraude e quebra de confiança: por fazer um acordo com o "Walla" – portal de notícias pertencente ao grupo Bezeq, maior empresa de telecomunicações israelense –, pelo recebimento de propina de milionários e por outro acordo de troca de favores, desta vez com o "Yedioth Ahronoth" – um dos maiores jornais em circulação em Israel.

No primeiro e mais escandaloso caso, Netanyahu, que acumulou também o cargo de ministro das comunicações entre 2014 e 2017, ofereceu benefícios para a Bezeq em troca de cobertura positiva no portal de notícias Walla.

Algo semelhante aconteceu com o jornal Yedioth Ahronoth. Desta vez, porém, em troca de cobertura positiva, Netanyahu teria oferecido a garantia de que prejudicaria o Israel Hayom, jornal concorrente do periódico.

No outro caso, o primeiro-ministro teria recebido presentes luxuosos de milionários, como charutos e champanhe francês, em troca de favores financeiros e pessoais. O produtor de Hollywood Arnon Milchan é apontado como um dos envolvidos no esquema.

Em pronunciamento na televisão, Netanyahu se declarou inocente de todas as acusações e alegou perseguição política.

Netanyahu foi o primeiro líder internacional a visitar Jair Bolsonaro após a sua eleição e é um dos maiores aliados do presidente fora do país - DEBBIE HILL / POOL / AFP

Eleições em Israel

Israel passará por eleições gerais na próxima terça-feira, 9 de abril. Mesmo com todas as acusações de corrupção, Netanyahu é apontado como favorito pelas pesquisas e deverá ir para o quarto mandato consecutivo, tornando-se o primeiro-ministro com o mandato mais longo da história do país.

As eleições seriam tradicionalmente realizadas em novembro, mas, na véspera do Natal, Netanyahu dissolveu o Parlamento e decidiu antecipá-las para abril. O movimento foi entendido por analistas como uma manobra para realizá-las antes que as acusações do Procurador-Geral de Israel, Avichai Mandelblit, fossem concretizadas.

Mandelblit, como esperado, aceitou o pedido de Netanyahu para que as acusações só sejam feitas após as eleições, e deverá indiciar o premiê em julho.

Aliado de Bolsonaro

Benjamin Netanyahu foi o primeiro líder internacional a visitar Bolsonaro após sua eleição, e dividiu os holofotes com Viktor Orbán, premiê húngaro de extrema-direita, na cerimônia de posse do presidente.

Ao desembarcar no Rio de Janeiro, no dia 28 de dezembro, o primeiro-ministro anunciou uma "nova era" entre Israel e Brasil. "Israel é a terra prometida e Brasil é a terra da promessa", afirmou, após encontro com Bolsonaro.

Desde a campanha, Bolsonaro defendeu a transferência da embaixada do Brasil em Israel, de Tel-Aviv para Jerusalém, seguindo a decisão do presidente norte-americano Donald Trump, maior aliado de Netanyahu. Em visita a Israel nesta semana, contudo, frente à pressões da comunidade internacional, contrária ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, o presidente recuou e anunciou apenas a criação de um escritório brasileiro em Jerusalém.

Netanyahu, por outro lado, segue esperançoso pela transferência da embaixada: "É o primeiro passo para que, quem sabe, chegue um dia em que a embaixada do Brasil será em Jerusalém", afirmou, ao lado do presidente. 

* Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes

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Benjamin Netanyahu antecipou as eleições de Israel e só deverá ser indiciado pela Procuradoria-Geral do país em julho RONEN ZVULUN / POOL / AFP
Netanyahu foi o primeiro líder internacional a visitar Jair Bolsonaro após a sua eleição e é um dos maiores aliados do presidente fora do país DEBBIE HILL / POOL / AFP

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