A Embaixada do Brasil na Ucrânia recomendou, nesta quarta-feira (23), que brasileiros não viajem para as províncias separatistas Luhansk e Donetsk. A orientação foi divulgada em uma rede social da embaixada.
"Com relação aos desdobramentos dos últimos dois dias, a Embaixada reforça sua recomendação de atenção e para que sejam evitadas visitas às províncias ucranianas de Donetsk e Luhansk. Aconselha-se aos cidadãos que já estejam nessas regiões que considerem deixá-las sem demora", afirmou a publicação.
Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança da Ucrânia pediu que se instaure o estado de emergência no país, coincidindo com aumento do temor de uma invasão russa iminente. "O Parlamento ucraniano deve aprovar esta decisão nas próximas 48 horas", disse o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Oleksii Danilov.
Nesta quarta-feira, o Parlamento ucraniano aprovou por ampla maioria a declaração do estado de emergência nacional, diante da ameaça de uma invasão russa. A medida, proposta pelo presidente Volodimir Zelenski, foi votada horas depois de a Rússia iniciar a evacuação de seu pessoal diplomático em Kiev e de os Estados Unidos alertarem para o risco de uma ofensiva geral da Rússia contra a ex-república soviética.
"A situação é difícil, mas permanece sob nosso controle", assegurou antes de votar o secretário ucraniano de Segurança e Defesa, Oleksiy Danilov.
O estado de emergência permitirá às autoridades regionais reforçarem as medidas de segurança, impondo por exemplo controles de identidade mais estritos.
Vigorará em todo o território, com exceção das regiões separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste, reconhecidas na segunda-feira como repúblicas independentes pelo presidente russo, Vladimir Putin.
As potências ocidentais avaliam que a Rússia, que concentrou 150 mil militares em sua fronteira com a Ucrânia, poderia lançar uma ofensiva militar contra todo o país.
Regiões separatistas
Luhansk e Donetsk foram reconhecidas na segunda-feira (21) como independentes pelo governo russo. Com isso, as províncias não são vistas mais como território ucraniano, abrindo espaço para a livre movimentação de tropas russas. O presidente Vladimir Putin enviou tropas aos locais, classificadas por ele como tropas de paz.
No Conselho de Segurança da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, condenou a decisão do país russo. De acordo com ele, a medida desafiou as normas e os princípios da lei internacional e a integridade da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionais reconhecidas.
Brasil
No início da semana, o embaixador brasileiro na Organização das Nações Unidas (ONU), Ronaldo Costa Filho, fez uma declaração no Conselho de Segurança da entidade defendendo uma “solução negociada” entre Ucrânia e Rússia, que leve em consideração "os legítimos interesses de segurança" de ambos os países e o respeito aos princípios defendidos pelas Nações Unidas.
O embaixador apelou “a todas as partes envolvidas para que evitem uma escalada de violência e que estabeleçam, no mais breve prazo, canais de diálogo capazes de encaminhar de forma pacífica a situação no terreno”.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.