Musk classificou a USAID de 'ninho de víboras marxistas de esquerda radical que odeiam os Estados Unidos'AFP
Musk, o homem mais rico do mundo e um dos principais doadores da campanha eleitoral do presidente Donald Trump, está à frente de um Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) com o objetivo de cortar gastos em agências federais.
Segundo a imprensa americana, apenas cerca de 40 mil funcionários aceitaram, até o momento, a proposta de renúncia.
A iniciativa angustiou os funcionários, que enfrentam diariamente ataques verbais da equipe de Trump desde que o republicano voltou à Casa Branca em 20 de janeiro.
Sindicatos e democratas questionam a legalidade das demissões dos servidores públicos.
A medida do chefe da SpaceX, Tesla e da rede social X abalou profundamente as agências que por décadas administraram a principal economia mundial, abrangendo áreas que vão desde educação até inteligência nacional.
A Usaid, agência governamental responsável pela distribuição de ajuda ao redor do mundo, ficou paralisada, com ordens para que o pessoal permanecesse em casa. A Casa Branca e meios de direita a acusam de desperdício de recursos.
Trump também pretende fechar o Departamento de Educação, e colaboradores de Musk causaram alvoroço ao tentar acessar um sistema de pagamentos altamente protegido do Departamento do Tesouro.
A lista, indicou o Times, continha nomes e iniciais dos sobrenomes dos agentes, mas foi enviada por um e-mail não sigiloso, levantando preocupações de que adversários estrangeiros possam ter acesso a suas identidades.
O "terremoto administrativo" parece imparável: um funcionário da agência que gerencia as propriedades do governo defendeu que a carteira imobiliária, com exceção dos prédios do Departamento de Defesa, seja reduzida em "pelo menos 50%".
"Lacaios" de Musk
O bilionário declarou que as renúncias são uma oportunidade para "tirar férias" ou "simplesmente assistir a filmes" e relaxar.
Mas os sindicatos alertam que, sem a aprovação do Congresso para o uso de fundos orçamentários federais, os acordos podem não ter validade.
"Os funcionários federais não devem se deixar enganar pela retórica de bilionários não eleitos e seus lacaios", alertou Everett Kelley, presidente da Federação Americana de Funcionários do Governo (AFGE).
"Ao contrário do que afirmam, esse plano de demissão diferida não tem financiamento, é ilegal e não oferece garantias. Não vamos ficar de braços cruzados e permitir que nossos membros se tornem vítimas dessa farsa", acrescentou.
A ação legal de Massachusetts também questiona, por razões éticas, se os trabalhadores poderiam procurar outros empregos durante os oito meses de indenização.
"Não estamos buscando uma medida ordenada para reduzir o tamanho do governo", disse à AFP.
"Estamos tentando causar pânico para que as pessoas simplesmente saiam e deixem o governo em estado de paralisia, o que é parcialmente o objetivo", acrescentou a fonte, que pediu anonimato.

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