Lee visita a China para fortalecer laços econômicos com o paísJung Yeon-Je / AFP
Presidente sul-coreano visita China para tentar contornar tensões com Taiwan
Lee é o primeiro líder do país a viajar para Pequim em seis anos
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, chegou à China, neste domingo (4), para uma visita de quatro dias, ansioso por fortalecer os laços econômicos com o maior parceiro comercial de Seul, ao mesmo tempo que tenta conter questões potencialmente explosivas, como a de Taiwan.
Lee é o primeiro líder sul-coreano a visitar Pequim em seis anos, e sua viagem ocorre menos de uma semana depois de a China ter realizado exercícios militares massivos em torno de Taiwan, a ilha autogovernada que reivindica como parte de seu território.
O exercício, que contou com mísseis, caças, navios da marinha e embarcações da guarda costeira, gerou uma onda de condenação internacional, à qual Seul se recusou, notavelmente, a participar.
Lee, acompanhado por uma delegação de líderes empresariais e tecnológicos, espera expandir a cooperação econômica em reuniões com o presidente Xi Jinping e outras autoridades de alto escalão.
E ele espera poder usar a influência da China sobre a Coreia do Norte para apoiar sua tentativa de melhorar as relações com Pyongyang.
"A China é um parceiro de cooperação muito importante na busca pela paz e unificação na Península Coreana", disse Lee durante uma reunião com residentes coreanos em Pequim, segundo a agência de notícias Yonhap.
Lee acrescentou que sua visita "serviria como um novo ponto de partida para preencher as lacunas nas relações entre Coreia e China, restaurá-las à normalidade e elevá-las a um novo patamar".
Horas antes de Lee partir para Pequim, os militares de Seul disseram que a Coreia do Norte havia disparado um míssil balístico no Mar do Japão — seu primeiro teste do ano.
Há décadas, Seul trilha uma linha tênue entre a China, seu principal parceiro comercial, e os Estados Unidos, seu principal garantidor de defesa.
Mas Kang Jun-young, professor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Hankuk, em Seul, afirmou que Pequim agora busca afastar a Coreia do Sul da esfera de influência de Washington.
"A China considera a Coreia do Sul o elo mais fraco num momento em que a cooperação trilateral entre a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão está se fortalecendo", disse ele à AFP.
Lee tem habilmente se mantido à margem desde que uma disputa acirrada eclodiu entre Pequim e Tóquio no final do ano passado, desencadeada pela sugestão da primeira-ministra Sanae Takaichi de que o Japão poderia intervir militarmente caso a China atacasse Taiwan.
Em entrevista à emissora estatal chinesa CCTV na sexta-feira, ele afirmou que "afirma claramente" que "respeitar o princípio de 'uma só China' e manter a paz e a estabilidade no Nordeste Asiático, incluindo no Estreito de Taiwan, são muito importantes".
Comércio, IA e K-pop
Em relação aos laços econômicos, Lee defendeu que a Coreia do Sul e a China trabalhem em prol de um comércio "mais horizontal e mutuamente benéfico".
Ele está trazendo consigo uma grande delegação de executivos de algumas das maiores e mais conhecidas empresas da Coreia do Sul, incluindo a Samsung — uma das maiores fabricantes mundiais de chips de memória, que produz componentes cruciais para a crescente indústria de IA.
O presidente executivo do Hyundai Motor Group, Chung Eui-sun, também faz parte da delegação, juntamente com figuras das indústrias de entretenimento e jogos.
Uma cúpula com Xi Jinping está planejada para segunda-feira, seguida de negociações comerciais com altos funcionários, incluindo o primeiro-ministro Li Qiang, na terça-feira, de acordo com o principal assessor sul-coreano, Wi Sung-lac.
Em seguida, Lee viajará para o centro financeiro de Xangai, sede de uma importante comunidade empresarial sul-coreana, onde participará de uma cúpula de startups e visitará a antiga sede do governo coreano no exílio durante o domínio japonês.
Xi e Lee se encontraram pela última vez em novembro, à margem de uma cúpula regional em Gyeongju, na Coreia do Sul – um encontro que Seul descreveu na época como uma retomada após anos de relações tensas.
O presidente sul-coreano planeja apresentar um possível papel da China em seus esforços para reacender os laços desgastados com o Norte, que é fortemente dependente de Pequim como parceiro comercial.
As autoridades também esperam que as reuniões levem a China a flexibilizar uma proibição não oficial às importações da cultura pop sul-coreana, em vigor há quase uma década.
"A posição oficial da China é que não existe nenhuma proibição ao conteúdo coreano, mas, da nossa perspectiva, a situação parece um pouco diferente", disse Wi, o conselheiro presidencial.

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