Delcy Rodríguez pode assumir a presidência da VenezuelaJuan Barreto / AFP

A vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada Cilia Flores, durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos no último sábado (3).
Rodríguez, que era a vice-presidente executiva e primeira na linha de sucessão, prestou juramento diante da Assembleia Nacional após decisão do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, que determinou sua nomeação por um período inicial de 90 dias, prorrogáveis. Segundo a Corte, a medida tem como objetivo garantir a continuidade administrativa do Estado e a defesa institucional do país.
É a primeira vez que uma mulher assume a chefia do Executivo venezuelano. Em seu discurso de posse, Delcy Rodríguez afirmou que assume o cargo em um momento de “ameaça à estabilidade e à paz da nação” e exigiu a libertação imediata de Maduro, a quem se referiu como “o único presidente da Venezuela”. Ela também condenou a operação militar norte-americana e declarou que seu governo buscará o retorno do casal ao país por vias políticas, jurídicas e diplomáticas.
A cerimônia foi conduzida pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina. O filho de Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra, participou do ato segurando a Constituição durante o juramento. Militares prestaram honras à nova presidente interina, e a Força Armada Nacional reconheceu oficialmente sua designação no domingo.
Maduro e Cilia Flores foram detidos durante bombardeios em Caracas e levados para Nova York, onde compareceram nesta segunda-feira a uma audiência de custódia em um tribunal federal. As autoridades norte-americanas afirmam que o ex-presidente responderá a acusações relacionadas a narcotráfico e terrorismo. A defesa do casal nega as acusações, que também foram rejeitadas publicamente por aliados políticos.
A crise política se aprofundou após o governo do presidente Donald Trump anunciar que os Estados Unidos pretendem administrar a Venezuela até que seja concluída uma transição de poder. A afirmação foi contestada pelas instituições venezuelanas, que sustentam a validade da sucessão constitucional interna.
A reação internacional tem sido dividida. Enquanto alguns países condenaram a ação militar dos Estados Unidos como violação da soberania venezuelana, outros manifestaram apoio à operação ou celebraram a queda de Maduro, cuja reeleição em 2024 foi contestada pela oposição e não reconhecida por Washington e por parte da comunidade internacional.
Em meio ao impasse, Delcy Rodríguez declarou defender uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que reforçou a posição de que a soberania venezuelana deve ser preservada. A Assembleia Nacional, eleita em maio de 2025, iniciou seus trabalhos nesta segunda-feira com a crise como tema central, enquanto manifestações de apoiadores do chavismo foram registradas no centro de Caracas.