ONG Freedom House afirma que há 'um uso agressivo da autoridade executiva' pelo presidente Donald TrumpAFP
EUA recebem menor nota já registrada em índice de liberdade
ONG Freedom House aponta que indicadores globais diminuíram pelo vigésimo ano consecutivo
O grau de liberdade nos Estados Unidos atingiu o menor nível já registrado, informou nesta quinta-feira (19) a ONG Freedom House, que aponta um uso agressivo da autoridade executiva pelo presidente Donald Trump no país.
A organização, com sede em Washington, destacou que a liberdade diminuiu em todo o planeta em 2025 pelo vigésimo ano consecutivo, o que classificou de "marco sombrio".
Os Estados Unidos mantêm a classificação de país "livre", mas sua nota caiu para 81 pontos (a nota máxima é 100), a menor pontuação desde o início da publicação do índice, em 1972.
A pontuação deixa os Estados Unidos no mesmo nível da África do Sul e abaixo de vários países europeus, assim como da Coreia do Sul e do Panamá.
A Freedom House afirma que o retrocesso nos Estados Unidos se deve à "disfunção legislativa e ao predomínio do poder executivo, ao aumento crescente da pressão sobre a capacidade das pessoas de se expressarem livremente e aos esforços do novo governo para minar as salvaguardas anticorrupção".
Desde seu retorno ao poder há mais de um ano, Trump ordenou o fechamento de agências governamentais e mobilizou agentes migratórios armados e mascarados em todo o país.
Os Estados Unidos recuaram três pontos, nível de queda registrado apenas pela Bulgária, outro país na categoria "livre", onde as eleições de 2024 foram marcadas por denúncias de fraude.
Apenas 21% da população mundial vive em países classificados como "livres". Grande parte do retrocesso na África foi provocada por golpes militares, pela violência contra manifestantes e o enfraquecimento das garantias constitucionais, segundo a Freedom House.
Nas últimas duas décadas, mais países "caíram para a categoria 'não livres' do que aqueles que se democratizaram ou ascenderam à categoria 'livres'", afirmou Cathryn Grothe, analista de pesquisa na Freedom House e coautora do relatório.
Em uma nota positiva, três países passaram de "parcialmente livres" para "livres": Bolívia e Malaui, que organizaram eleições competitivas, e Fiji, que reforçou o Estado de Direito.
O único país que obteve pontuação perfeita de 100 foi a Finlândia, enquanto o Sudão do Sul recebeu a nota 0.

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