Pierre Lebris é julgado por tentativa de homicídio, agressão qualificada e conspiração criminosaAFP

Teve início na França, nesta segunda-feira (30), o julgamento de 22 pessoas acusadas de integrar uma rede de assassinos de aluguel ligada a membros de uma loja maçônica. O grupo responde por homicídios e outros crimes graves.
Entre os julgados — treze dos quais enfrentam pena de prisão perpétua — há quatro militares do serviço de inteligência externa da França (DGSE), dois policiais, um ex-agente de inteligência interna aposentado, um segurança e dois empresários.
O grupo está sendo acusado pela morte de um piloto de corrida, de tentativa de assassinato de um treinador empresarial (coach) e de um sindicalista. Segundo a acusação, eles faziam parte de uma rede criminosa que funcionava dentro de uma antiga loja maçônica em Puteaux, no subúrbio de Paris, na França.
Resumo do caso
Os réus têm entre 30 e 73 anos e, em sua maioria, nunca haviam cometido crimes antes. O esquema começou a ser descoberto em julho de 2020, quando dois militares armados foram presos perto da casa de uma coach empresarial.

Ao serem interrogados, eles deram a justificativa de que acreditavam que estavam ''cumprindo uma missão oficial do governo francês para matar a mulher, sob o falso pretexto de que ela seria uma espiã israelense da agência Mossad.
Dentre os réus, estão os militares franceses Pierre Lebris e Carl Esnault, além de Donovan Lefranc, Sebastien Leroy e Daniel Beaulieu.

De pequenas vinganças a assassinatos
O líder do grupo de assassinatos de aluguel confessou à polícia que ele e seus comparsas foram responsáveis por uma série de ataques, roubos e pelo assassinato de um piloto de corridas. Segundo as investigações, o que começou com pequenas vinganças pessoais dentro da loja maçônica Athanor acabou se transformando em uma rede profissional de matadores de aluguel.

A decepção das vítimas
O advogado da coach que escapou do atentado, Jean William Vezinet, destacou o espanto de sua cliente com o perfil dos acusados:

"É assustador que os criminosos sejam justamente pessoas que deveriam proteger a sociedade, como policiais, ex-agentes de inteligência e membros da maçonaria.", declarou Vezinet.

O julgamento deve durar pelo menos três meses.