Ativista brasileiro seguia para Gaza em missão humanitáriaReprodução / Instagram
A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, zarpou de França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense em Gaza e levar suprimentos ao devastado território palestino. As forças israelenses as interceptaram em águas internacionais, em frente à costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira.
A ONG informou que o promotor apresentou uma lista de supostos crimes cometidos pelos dois, entre eles "assistir o inimigo em tempos de guerra" e "pertencimento a e prestação de serviços a uma organização terrorista". Mas os advogados da organização questionaram a jurisdição do Estado e denunciaram um "sequestro ilegal".
Eles relataram ao tribunal que Ávila e Abu Keshek disseram ter sofrido "graves abusos físicos que equivalem à tortura, inclusive agressões" e também que foram mantidos "em isolamento e com os olhos vendados durante dias no mar".
Ainda segundo a ONG, não foram apresentadas acusações formais contra os dois.
"Argumentamos que (...) faziam parte de uma missão humanitária, cujo objetivo era proporcionar ajuda humanitária aos civis em Gaza, e não a nenhuma outra organização, fosse terrorista ou não", disse a jornalistas a advogada Hadeel Abu Salih após a audiência.
Desde que seu traslado a Israel foi anunciado, tanto o governo espanhol quanto o brasileiro condenaram a ação como um "sequestro" e reivindicaram "o retorno imediato de seus cidadãos".
Neste domingo, o governo espanhol reiterou o pedido após a decisão do tribunal.
"O Governo da Espanha exige sua libertação imediata", destacou o ministério de Assuntos Exteriores em uma mensagem enviada à AFP, detalhando que o cônsul espanhol em Tel Aviv acompanhou o "espanhol detido ilegalmente" ao comparecimento.
A organização Adalah informou que seus advogados tinham se reunido com os ativistas detidos na prisão de Shikma, em Ashkelon.
Ávila contou aos advogados ter sofrido "uma brutalidade extrema" quando os barcos foram interceptados. "Foi arrastado de bruços pelo chão e foi agredido tão brutalmente que perdeu os sentidos duas vezes", acrescentou a ONG.
Segundo a organização, ele contou que desde que chegou a Israel ficou "isolado e com os olhos vendados".
Abu Keshek também foi "amarrado pelas mãos e teve os olhos vendados" e foi "obrigado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento de sua detenção" até chegar a Israel, informou o grupo.
O Ministério das Relações Exteriores israelense acusa os dois ativistas de terem vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), uma organização sancionada pelo Departamento do Tesouro americano.
Washington acusa a PCPA de "agir clandestinamente em nome" do grupo islamista palestino Hamas.
O Ministério das Relações Exteriores israelense afirma que Abu Keshek é um membro de destaque da PCPA e que Ávila está vinculado à organização e é "suspeito de atividades ilegais".
O Governo espanhol rechaçou as acusações de Israel contra Abu Keshek. Os organizadores da flotilha afirmam que a interceptação israelense ocorreu a mais de 1.000 km de Gaza e a tacham de "armadilha mortal calculada no mar".
Dezenas de ativistas detidos desembarcaram na sexta-feira na ilha grega de Creta, constatou um jornalista da AFP.
Em 2025, uma primeira viagem da Flotilha Global Sumud ("resiliência" em árabe) para Gaza atraiu atenção mundial.
Mas centenas de ativistas, entre eles a sueca Greta Thunberg e o próprio Thiago Ávila, foram detidos no mar, trasladados a Israel e expulsos em seguida.

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