Rato-colilargo é o vetor da única cepa do hantavírus que pode ser transmitida entre humanosFacebook/ Reprodução
Missão científica em busca de hantavírus capturou cerca de 150 roedores em Ushuaia
Não foi encontrado nenhum rato-colilargo — vetor da cepa que gerou a crise sanitária no cruzeiro Hondius
Uma missão científica em Ushuaia, a cidade mais austral da Argentina, capturou mais de cem roedores para analisá-los, embora não tenha encontrado entre eles nenhum "colilargo", o vetor da cepa de hantavírus envolvida no surto do cruzeiro Hondius, informou nesta quinta-feira (21) uma autoridade sanitária.
"Foram instaladas cerca de 140 armadilhas e, a cada dia (desde terça-feira), houve capturas em 40% ou 50% delas", disse em entrevista coletiva Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Meio Ambiente da província da Terra do Fogo, da qual Ushuaia é capital. Nelas, "até o momento não tivemos nenhum colilargo", prosseguiu.
A população de roedores dessa cidade gelada de 80 mil habitantes às margens do canal de Beagle desperta interesse internacional porque dali partiu, em 1º de abril, o cruzeiro no qual um surto de hantavírus Andes deixou três mortos.
Essa cepa, registrada apenas em outras regiões do sul da Argentina e no Chile, é a única conhecida capaz de ser transmitida entre humanos.
Ela é transmitida pelo rato-colilargo (Oligoryzomys longicaudatus). A missão científica que partiu na segunda-feira busca confirmar ou descartar a presença do vírus nesse refúgio turístico do "fim do mundo".
Petrina detalhou que as amostras serão enviadas a Buenos Aires para análise e que "os resultados definitivos possivelmente sejam conhecidos em três semanas".
Por enquanto, é possível afirmar que "a quantidade da população de colilargos, ao menos neste momento, não é tal a ponto de terem caído nas armadilhas", acrescentou.
Adrián Schiavini, pesquisador principal do Centro Austral de Investigações Científicas, disse à AFP que os roedores encontrados (Abrothrix hirta e Abrothrix olivacea) são "dos mais comuns".
Esse rato pode ter hantavírus, "mas não desenvolve um nível de infecção que gere importância sanitária (...) como ocorre com o colilargo, que o espalha por todos os lados", detalhou.
As armadilhas foram colocadas em três locais próximos à cidade, entre eles um aterro sanitário que havia sido apontado como local de contágio do paciente zero do surto no cruzeiro. No entanto, ali "houve apenas uma captura", disse Petrina. "Não houve nem atividade".
A Terra do Fogo, ilha separada do continente pelo Estreito de Magalhães, nunca registrou hantavírus desde que a notificação de casos se tornou obrigatória em 1996.

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