Entidades afirmam que foram excluídas do encontro com Leão XIVAFP
O Vaticano anunciou que o papa se reunirá com vítimas de abusos sexuais na Igreja durante sua atual viagem de sete dias à Espanha. Segundo a imprensa espanhola, esse encontro ocorrerá finalmente na tarde de segunda-feira na Nunciatura Apostólica.
Mas várias associações de vítimas, que no passado criticaram a Igreja por sua opacidade em relação aos abusos, denunciaram não ter sido convidadas para a reunião e pretendem manifestar sua indignação na manhã de segunda-feira em frente à sede da Nunciatura, no norte da capital espanhola.
"Não termos sido convidados é um golpe. Acho que merecemos ter protagonismo. Há muitos anos que, enquanto associações, estamos na linha da frente" das denúncias contra a pedofilia na Igreja, declarou Juan Cuatrecasas, porta-voz da associação Infância Roubada.
"O que pretendem é que seja uma reunião estritamente controlada pela hierarquia católica para que não dê uma imagem ruim e não afete a figura do papa e a mensagem que querem transmitir", disse à Radio4 Miguel Hurtado, que denunciou ter sido abusado por um sacerdote aos 16 anos na Abadia de Montserrat, em Barcelona.
Segundo Cuatrecasas, vão participar da reunião com o papa vítimas acompanhadas pelo Projeto Repara, do Arcebispado de Madri, o que, em sua avaliação, fará com que "a realidade que o papa verá seja uma realidade totalmente enviesada".
No voo que o levou a Madri, no sábado, Leão XIV afirmou que "os abusos são uma ferida ainda aberta".
O Defensor do Povo (ombudsman) espanhol estimou, em um relatório publicado em 2023 que, desde 1940, mais de 200 mil menores podem ter sofrido agressões por parte de religiosos católicos.
Em março, o governo espanhol de esquerda e a Igreja assinaram um acordo para indenizar as vítimas de crimes sexuais, após anos de reticências e opacidade por parte da hierarquia eclesiástica.

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