Venezuela é cenário frequente de tremoresAFP
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Um primeiro tremor de 7,2 graus de magnitude com epicentro 21 km ao oeste de Morón, no norte do país, aconteceu às 18h04 locais (19h04 de Brasília) e foi seguido quase um minuto depois por outro, mais forte, de 7,5 graus de magnitude, a alguns quilômetros de distância, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na rede social X.
Os terremotos foram tão potentes que também foram sentidos na Colômbia, onde algumas sirenes de alerta foram acionadas.
La Guaira, uma cidade a 40 minutos de distância de Caracas e onde fica o aeroporto internacional de Maiquetía, é uma área mais afetada pelos tremores.
“Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali, imagina”, disse à AFP Larry Rojas, de 49 anos, diante de um prédio que desabou e onde sua família estava presa sob os escombros.
A presidente Delcy Rodríguez anunciou o balanço.
“Há coleções de edifícios que desabaram e estamos, neste momento, em trabalhos muito árduos de resgate para salvar as vidas que Deus nos permita salvar”, disse a presidente em uma mensagem ao país.
“Tem gente viva ali e ninguém vem salvar”, disse uma mulher que esperava notícias da filha que ficou soterrada em um prédio de 12 andares que desabou completamente.
O governo interno decretou estado de emergência em todo o país diante da gravidade dos danos e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".
Vários pontos da cidade ficaram sem energia elétrica.
Os tremores também danificaram parte das instalações do aeroporto internacional de Maiquetía, que atende a capital venezuelana.
| Imagenes desde el Aeropuerto Internacional de Maiquetía, Venezuela. Donde se reportaron derrumbes. pic.twitter.com/JiNY8PSrs7
— Felipe Galli (@FEscrutinio) June 24, 2026
O terminal aéreo foi fechado “por graves danos na sua infraestrutura”, afirmou Rodríguez no seu pronunciamento.
Caracas ainda conta, no entanto, com o aeroporto militar de La Carlota, localizado em plena zona metropolitana.
Na capital, as cenas eram de destruição e pânico. Um jornalista da AFP viu um edifício de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, zona leste da cidade.
Pessoas gritavam os nomes de parentes nas ruas e alguns voluntários subiam nos escombros. "Precisamos de lanternas", pediu um deles ao cair da noite.
Do lado de fora do centro comercial Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma comerciante de 42 anos, ficou assustada com a dimensão dos tremores.
"Não sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Caíram muitas coisas de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência, foi por onde nos tiraram", disse à AFP.
"Os degraus se soltaram, toda a parede rachou. As coisas caíram do teto. Foi horrível", relatou Odalis Escalona, uma funcionária bancária de 54 anos.
"Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos. Os primeiros relatos não são bons", escreveu o republicano nas redes sociais.
Seguindo ordens de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que Washington "está enviando de maneira imediata equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela".
Rodríguez relatou depois que teve uma conversa telefônica com Rubio, "que expressou sua solidariedade e apoio ao povo venezuelano nestes momentos difíceis".
Muitos países da América Latina, assim como Espanha, Itália, China e Índia, também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda.
“Registramos 20 tremores secundários, é um fato de graves consequências, (...) há estados particularmente afetados”, afirmou Delcy Rodríguez.
A líder opositora e Nobel da Paz, María Corina Machado, deseja uma mensagem de incentivo.
"Meu coração, meu abraço infinito e minhas orações estão com cada lar venezuelano nestas horas de angústia", escreveu no X. Corina Machado está fora da Venezuela desde novembro.
Os terremotos foram sentidos com força nos estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira, segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
A Venezuela é cenário frequente de tremores. Os terremotos mais fortes das últimas décadas foram em 1997 em Cariaco (nordeste), com 73 mortos, e em 1967 em Caracas, com 236 falecidos.
O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".
Um médico de um hospital de Caracas informou que, desde as primeiras horas da manhã, a unidade passou a receber feridos transferidos da cidade litorânea, onde os hospitais estão superlotados.
A presidente afirmou que conversou com o coordenador da ONU no país e que "equipes especializadas de resgate" já estão a caminho para apoiar as buscas por sobreviventes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu ajudar seus "novos e grandes amigos". Posteriormente, seu secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que o país "está mobilizando imediatamente equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária".
A maior parte dos países da América Latina também manifestou solidariedade e ofereceu ajuda. Chile e México, países com reconhecida experiência no enfrentamento de terremotos, anunciaram o envio de equipes de resgate.
Espanha, Alemanha, Itália, Suíça, China, Índia e a União Europeia também ofereceram assistência.
O aeroporto internacional permanece fechado, mas Caracas conta com uma base aérea localizada dentro da cidade.
Pânico em Caracas
As cenas de destruição e pânico também se repetiram em Caracas.
No bairro de Altamira, uma das áreas de maior atividade sísmica da capital, um edifício de 22 andares desabou. Pouco depois dos tremores, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares na esperança de obter alguma resposta.
Em outros bairros, a situação era semelhante: casas destruídas e edifícios rachados.
"Meu Deus, por que isso está acontecendo? Ai, meu Pai!", lamentava uma mulher diante de outros prédios transformados em escombros. Um homem a abraçava para tentar acalmá-la.
Muitas pessoas passaram a noite dormindo nas ruas ou dentro de carros. Na manhã desta quinta-feira praticamente não havia comércio aberto, embora houvesse intenso movimento de veículos.
"Está tremendo, está tremendo agora!", alertavam os moradores durante as réplicas, perto de um prédio que já havia sido destruído.
Algumas pessoas se deslocaram para áreas mais seguras, enquanto outras permaneceram observando as equipes de resgate removerem os escombros com o auxílio de uma máquina.

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