Temperaturas em Paris ultrapassaram os 40° devido à onda de calorReprodução

Mais de 100 milhões de pessoas na Europa experimentam, nesta quinta-feira (25), temperaturas acima de 35ºC, em meio a uma onda de calor longa e mortal que, segundo um instituto científico espanhol, causou mais de 200 mortes no país.
A onda de calor bateu recordes de temperaturas em vários países para um mês de junho e provocou as duas noites mais quentes já registradas na França, cuja capital, Paris, abriu os parques durante toda a noite para oferecer um espaço verde aos seus moradores.
"A diferença de temperatura entre a rua e aqui, debaixo das árvores, é alucinante!", surpreende-se Agathe Chebassier, uma jovem pintora que buscou refúgio na última noite em um parque parisiense.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, informou, nesta quinta-feira, um "aumento da mortalidade" na cidade, onde os termômetros superaram, na quarta-feira, os 40ºC pela quarta vez em 150 anos.
O Ministério da Saúde reportou, por sua vez, 25 paradas cardíacas em 24 horas, diante das dez que ocorrem habitualmente.
Além disso, o país lamentou dezenas de mortos por afogamento de pessoas que se refrescavam em zonas não habilitadas para o banho ou sem vigilância, além de três crianças mortas dentro de veículos.
O prefeito da polícia de Paris, Patrice Faure, alertou que os hospitais da capital francesa e sua região metropolitana estão perto da "saturação" e anunciou a proibição do consumo de álcool nas vias públicas a partir do meio-dia de sexta-feira.
No entanto, sua venda será permitida em estabelecimentos como bares e restaurantes.
Recordes e mortes
Uma análise da reportagem com base nas previsões do serviço meteorológico alemão e nas projeções de população do Joint Research Center estimou que mais de 380 milhões de habitantes da Europa, exceto a Turquia, ficarão expostas a temperaturas superiores a 30ºC nesta quinta-feira.
A onda de calor provocou recordes de temperatura para um mês de junho na Suíça (38ºC) e no Reino Unido (36,7ºC).
O pico desta onda de calor histórica deveria ser alcançado nesta quinta-feira na França e parece já ter passado na Espanha, embora com um custo aparentemente elevado.
O Instituto de Saúde Carlos III, de Madri, estimou que pelo menos 212 dos óbitos registrados entre o domingo e a quarta-feira podem ser atribuídos à onda de calor que castigou o país nesses dias.
A título comparativo, em 2025 morreram 98 pessoas nesses quatro dias.
Estas estimativas se baseiam no sistema "MoMo" (Monitoramento da Mortalidade), que compila diariamente o número de mortos na Espanha e calcula o desvio da mortalidade em relação à previsível, segundo as sérias históricas registradas.
'Força maior'
Esta poderosa onda de calor - que afeta muitos países europeus - foi provocada por uma imensa massa de ar quente procedente da África, posicionada sobre a Europa ocidental e comprimida por altas pressões na altitude.
Os cientistas alertam há anos sobre o impacto das mudanças climáticas em ondas de calor, secas e outros fenômenos meteorológicos extremos, cada vez mais intensos e frequentes.
Na Alemanha, são esperadas temperaturas que poderiam passar dos 40°C em alguns pontos, onde poderiam bater recordes absolutos. Por isso, foram cancelados vários eventos ao ar livre, como a meia maratona de Hamburgo (norte).
"É uma pena que (...) não seja realizada, mas o calor é uma razão de força maior", avaliou Marc Trauth, um estudante de 24 anos, que disputaria a corrida juntamente com seu tio.
Pausa para hidratação
No Reino Unido, o alerta vermelho por "calor extremo", emitido em raríssimas ocasiões, foi prolongado até a noite de sexta-feira para Londres e parte do sudeste da Inglaterra.
O serviço de ambulâncias londrino informou um "recorde histórico" de 642 intervenções na quarta-feira na capital britânica por emergências como infartos ou problemas respiratórios graves.
Também foi prestada assistência para um total de 3.600 pessoas, "afetadas por desmaios, dificuldades respiratórias ou problemas cardíacos".
O instituto meteorológico dos Países Baixos emitiu pela primeira vez um alerta vermelho por calor, que estará em vigor na sexta-feira em grande parte do país.
Para tentar mitigar os efeitos destes fenômenos cada vez mais frequentes, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) pediu à União Europeia, nesta quinta-feira, que adote pausas para hidratação obrigatórias aos trabalhadores expostos, como as feitas pelas seleções de futebol durante a Copa do Mundo.
Na França, em meio a um debate sobre a falta de sistemas de climatização nas salas de aula, os sindicatos de professores convocaram uma greve contra "condições de trabalho inaceitáveis".