Khamenei faleceu em 28 de fevereiroAFP
As autoridades não divulgaram uma estimativa do número de participantes desde o início da homenagem, no sábado, mas esperam entre 15 e 20 milhões de pessoas no total.
Após uma guerra que incluiu 40 dias de bombardeios de Israel e dos Estados Unidos, a República Islâmica convocou os iranianos a comparecerem em massa ao funeral, uma forma de desafio a seus inimigos.
Khamenei faleceu em 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques conjuntos que desencadearam uma guerra no Oriente Médio.
“Todo mundo fala em vingança”, disse à AFP Gholamreza Khanbabaei, 58 anos. Ele segura um retrato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçado com uma arma à queima-roupa. “É necessário, ou mais à frente será pior”, acrescentou.
O caixão de Ali Khamenei, que comandou o país por mais de três décadas, até sua morte aos 86 anos, exposto ao público durante dois dias na Grande Mosalla, na capital do país.
Um caminhão aberto transporte o caixão, coberto com flores e o emblemático turbante preto do aiatolá, por Teerã.
Jornalistas da AFP observaram milhares de pessoas agitando bandeiras iranianas e outras com bandeiras vermelhas, que simbolizam vingança e justiça.
Os iranianos gritam frases antiamericanas e anti-israelenses. Alguns cartazes pedem a “morte” de Donald Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. A televisão estatal exibiu um vídeo que mostra um boneco de Trump suspenso em uma força.
O cortejo vai durar de 10 a 12 horas ao longo de um percurso de 20 quilômetros. O espaço aéreo permanece fechado durante o dia declarado feriado.
O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que mantinha uma relação tensa com Khamenei e não foi visto na Grande Mosalla, acompanhou o cortejo, segundo a agência de notícias Mehr.
Sob um calor sufocante, os organizadores borrifavam água nos participantes e distribuíam comida e bebida.
O caminhão que transportou os caixões de Khamenei e dos parentes que morreram ao lado dele nos ataques (uma de suas filhas, um gênero, uma nora e uma net) é escoltado pelas forças de segurança para evitar incidentes, após o precedente de 1989.
Em 6 de junho daquele ano, uma multidão desesperada avançou na direção ao cortejo fúnebre do ex-líder supremo Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica. As pessoas rasgaram o sudário e o corpo caiu no chão.
Após o tumulto, o corpo foi transportado de helicóptero e enterrado em um cemitério próximo a Teerã, com várias horas de atraso. Segundo a agência oficial Irna, 10 milhões de pessoas acompanharam o cortejo, que terminou com mais de 10 mortos e 10.000 feridos.
Muitas autoridades iranianas participaram no domingo de uma grande oração em sua homenagem, mas seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, não compareceu e continua sem ser visto desde o fim de fevereiro.
O líder supremo de 56 anos, ferido nos bombardeios que mataram seu pai, se manifesta somente por comunicados.
O funeral do aiatolá estava inicialmente previsto para março, mas foi adiado devido à guerra.

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