Avalanche de água e lama que atingiu Nepal e Tibete foi provocada pelo colapso de geleiraArun Sankar / AFP
A horrific scene of severe flooding at the Rasuwagadhi border point on the Nepal-Tibet border.
— Ravi Pandey (@ravipandey2643) August 26, 2026
The strong currents wreaked havoc across the area, leaving 400 pilgrims and 105 Indian tourists also missing in the Nepal floods.#NepalFloods #Nepal #Rasuwa #FlashFlood #Floods pic.twitter.com/dwAX12Gj7l
Mais de vinte e quatro horas depois da tragédia, as autoridades do Nepal continuvam sem notícias de 823 pessoas, incluindo 517 turistas estrangeiros. Entre eles há 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá, informou o Departamento do Turismo.
Do outro lado da fronteira, a imprensa estatal chinesa informou que o balanço pelo "deslizamento de lama" que atingiu o porto tibetano de Gyirong é, além dos três mortos, de 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros que não tiveram suas nacionalidades reveladas.
O nepalês Raju Bhadel, 56 anos, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado, que estava desesperado. "Estavam chorando e disseram que sua casa havia sido destruída. Três membros da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido", contou.
Povoados destruídos
Subash Khatani disse à reportagem que estava procurando o irmão. "Ele está entre os desaparecidos do distrito de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo", declarou.
O diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), David Fisher, fez um alerta sobre a dimensão da catástrofe e afirmou que "povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos".
Especialistas advertiram que um bloqueio persistente em um rio na fronteira entre o Nepal e a China pode causar uma nova inundação.
"Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação", explicou à reportagem Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com sede em Katmandu.
Vídeos divulgados pela polícia nepalesa registraram como a água da enchente subiu por um dos rios e destruiu casas inteiras pelo caminho, enquanto imagens da agência de notícias AFP mostram o andar superior de uma casa emergindo do solo lamacento.
O Exército nepalês realizou diversos sobrevoos na área e resgatou dezenas de pessoas, enquanto outras que viviam em áreas de risco perto do rio receberam ordens para deixar estes locais.
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que "a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para buscar e resgatar as pessoas desaparecidas", segundo a imprensa estatal.
O Dalai-lama disse nesta quinta-feira que reza por todas as vítimas e pediu "medidas de ajuda adequadas". O líder espiritual do budismo é considerado por Pequim um rebelde e separatista, após fugir do Tibete para o exílio em 1959, depois que tropas chinesas reprimiram um levante na região.
As chuvas de monção, de junho a setembro, costumam provocar inundações e deslizamentos de terra mortais em todo o sul da Ásia. Segundo cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e frequência desse tipo de fenômeno meteorológico extremo na região.

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