Declaração ocorre dias após Trump receber carta de senadores com críticas à possível interferência nas eleiçõesAFP
"Estou acompanhando bem de perto as eleições brasileiras. O Brasil é um país muito importante, é um ótimo país. O povo do Brasil é fantástico. É uma eleição muito importante", disse Trump a jornalistas na Casa Branca. O presidente americano não mencionou apoio a nenhum candidato.
As declarações de Trump ocorrem em um momento em que as atenções em Washington se voltam para a disputa eleitoral brasileira. Na última segunda-feira (28), três senadores do Partido Democrata pediram ao governo Trump que evite qualquer tipo de interferência no processo eleitoral brasileiro, em uma carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Nesta quarta-feira (30), a agência de notícias Reuters informou que uma delegação composta de representantes da França e da Alemanha "viajou este mês a Brasília, onde autoridades de inteligência os informaram sobre suposta interferência americana e russa anteriormente à eleição no Brasil". De acordo com um relatório das reuniões compilado por um participante e obtido pela Reuters, autoridades da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) "confirmaram a existência da interferência".
A Reuters noticiou que "a suposta interferência dos EUA vai ‘desde guerra jurídica até interferências abertamente reconhecidas’, segundo afirmaram as autoridades da Abin". "Elas não forneceram detalhes da suposta interferência russa."
Ultradireita
O Guardian informou que o projeto denominado "Combate à guerra jurídica e à censura no Brasil" apoiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que é classificado como abuso de poder judicial e censura por parte do Supremo.
Segundo a reportagem, a maior verba, de US$ 40 milhões (cerca de R$ 208,8 milhões), foi destinada a um consórcio liderado pela Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington.
Procurado pelo Guardian, o Departamento de Estado não comentou os financiamentos individualmente, mas afirmou que os programas ainda estariam em "análise ativa". A legislação que autoriza o HRDF prevê que os recursos deveriam ser alocados até anteontem.
De acordo com o Guardian, outros projetos beneficiados destinam-se a documentar um suposto "retrocesso democrático" na Europa relacionado a "imigração em massa e ilegal" e regras de "entidades supranacionais". Os possíveis beneficiários europeus seriam grupos "anticomunistas" e que abordam "direitos naturais" - na Polônia, na Eslováquia, na República Tcheca, na Hungria e nos Bálcãs.
Milei
Milei disse esperar que uma vitória do filho de Jair Bolsonaro (PL) resulte em um processo de "saneamento liberal" no País. "Tenho muita esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro."
Na primeira parte da entrevista, publicada na última terça-feira, a Le Point destacou que a aproximação de Milei com o candidato do PL ocorreu durante uma viagem do argentino a São Paulo e que seus ataques contra Lula e o Judiciário brasileiro tiveram repercussões diplomáticas. Milei voltou a afirmar que Lula teria sido beneficiado por uma decisão "administrativa" ao deixar a prisão, em 2019.
"Durante a minha campanha, Lula enviou a Buenos Aires uma equipe de 30 brasileiros, psicólogos e comunicadores, para organizar uma campanha negativa contra mim. Quando quis visitar meu amigo Jair Bolsonaro, aquele juiz corrupto, amigo de Lula, não permitiu. Em compensação, quando Lula veio à Argentina, ninguém o impediu de visitar [a ex-presidente] Cristina Fernández de Kirchner, já condenada", disse Milei.
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