Estudantes reclamam de jornadas longas, más condições em sala de aula e falta de professoresAlex Martin / AFP

Estudantes do ensino médio da França voltaram a entrar em confronto com a polícia após uma semana de protestos, o que forçou o fechamento de quase 400 escolas nesta sexta-feira (2). Quase 2 mil pessoas foram detidas desde o início do movimento, que não demonstra sinais de trégua.
As manifestações começaram na última semana, na região de Paris, e se espalharam rapidamente por todo o país entre os alunos do ensino médio, a maioria entre 15 e 18 anos, que reclamam de jornadas excessivamente longas, de condições inadequadas nas salas de aula (quentes demais no verão, por exemplo) e de ausências excessivas de professores.
Os estudantes bloquearam os acessos às escolas e protagonizaram, em algumas ocasiões, confrontos com a polícia, que resultaram em imagens de barricadas em chamas e veículos incendiados.
Em Rennes, no oeste da França, as forças de segurança utilizaram jatos d'água nesta sexta-feira para apagar incêndios em latas de lixo e para dispersar jovens perto do liceu Chateaubriand.
Na entrada da escola Turgot, no centro de Paris, dezenas de estudantes, alguns encapuzados, bloqueavam o acesso em um ambiente descontraído, com faixas com frases como "Não vamos parar até que sejamos ouvidos" ou "Quem nos protege da polícia?".
"O horário está pesado demais. Muitas vezes temos aula das oito da manhã às seis da tarde. Além disso, estudamos duas horas por dia em casa. Não temos tempo para atividades extracurriculares", explicou à reportagem um aluno de 15 anos.
Uma estudante de 15 anos afirmou que durante a onda de calor as temperaturas chegaram a 37ºC e "no inverno faz frio". "Gastam dinheiro em capinhas de celular, mas não nas coisas mais importantes", acrescentou, em referência ao dispositivo para garantir a proibição do uso de celulares nas escolas.
Entre as reclamações dos manifestantes figuram também as faltas excessivas de professores e a ausência de substitutos, em um momento em que a França tenta reduzir os gastos públicos para diminuir sua dívida pública.
O ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, se reuniu pela manhã com sindicatos da área de educação e associações de estudantes. Geffray afirmou que "o movimento foi sequestrado por grupos marginais violentos".
Mais de 300 policiais e guardas ficaram feridos, assim como 65 funcionários do Ministério da Educação, entre eles 40 diretores de escolas, além de 170 alunos, desde o início do movimento, segundo as autoridades. Geffray disse que 400 dos 3.700 colégios do Ensino Médio permaneceriam fechados nesta sexta-feira. O ministério citou ações ou perturbações em 564.
Na cidade de Marselha, no sul do país, a segunda mais populosa da França, muitas escolas organizaram aulas remotas, depois que os protestos interromperam na quinta-feira os serviços de transportes.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que pediu aos promotores que responsabilizem os pais pelos danos causados pelos filhos durante as manifestações e que "paguem pelos reparos".
"Desde o início do movimento, quase 2 mil pessoas foram detidas pela polícia, das quais 90% eram menores de idade", declarou à rádio RTL.