Protestos estudantis na França começaram em meados de setembroMiguel Medina / AFP
Segundo o Ministério da Educação, 589 das 3.700 escolas de ensino médio do país estavam parcial ou totalmente fechadas nesta segunda-feira por causa dos protestos. Os estudantes exigem mais recursos e denunciam a deterioração das condições de ensino. Os sindicatos estudantis convocaram uma mobilização que, segundo as autoridades, poderia reunir entre 20.000 e 40.000 pessoas na capital.
Desde meados de setembro, os estudantes bloqueiam as entradas de suas escolas para protestar contra a falta de professores, a carga horária excessiva e a infraestrutura em mau estado.
O estudante que perdeu a mão participava de um protesto em Lens, no norte da França, segundo as autoridades locais. O incidente é uma situação "humanamente dramática", lamentou o ministro da Educação, Édouard Geffray, que pediu prudência enquanto as circunstâncias exatas são investigadas.
Até o momento, o Ministério Público não pôde determinar se o adolescente pegou a granada ou se o artefato "tinha caído sobre ele", informou.
Na região de Paris, em frente a vários estabelecimentos, grupos de alunos se reuniram para entoar palavras de ordem, enquanto motoristas buzinavam em sinal de apoio. "Faltamos à aula para lhes dar uma lição", dizia um dos cartazes exibidos em frente à escola parisiense Turgot.
"Está claro que o sistema educacional não funciona", declarou à AFP Alma, aluna da escola Charlemagne, no centro de Paris.
"Acham que, só porque permitem nos expressar em uma plataforma, na internet, vamos deixar de bloquear os acessos e de ficar indignados, mas essa indignação existe há anos", declarou Simon, aluno da mesma escola.
Mobilização em todo o país
O movimento começou em 17 de setembro em uma escola de ensino médio de Créteil, na região de Paris, e ganhou força até se espalhar por toda a França entre estudantes, em sua maioria de 15 a 18 anos.
Em alguns casos, houve atos de vandalismo e confrontos com as forças de segurança.
O governo tem procurado responder às reivindicações, ao mesmo tempo que acusa ativistas de extrema esquerda de tentarem instrumentalizado o movimento.
Desde o início dos protestos, 24 estabelecimentos de ensino foram "incendiados ou saqueados", denunciou Geffray. Segundo o Executivo, mais de 5.000 pessoas (5.060) foram detidas, 87% delas menores de idade.
O governo também promove um projeto de lei para que os responsáveis pelos danos a bens públicos arquem com os custos dos reparos, em vez de deixá-los a cargo dos contribuintes.
Segundo o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, o texto permitiria descontar essas indenizações dos benefícios familiares e dos auxílios à moradia, preservando, porém, um patamar mínimo de renda. A proposta foi criticada por sindicatos e organizações de esquerda.

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