Henri Kagan e Kenso Soai fizeram descobertas sobre a homoquiralidadeIlustração de Niklas Elmehed / Divulgação / Nobel Prize
"Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que projetam reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos", afirmou o comitê do Nobel em um comunicado.
Assim como as mãos direita e esquerda, algumas moléculas, chamadas quirais, podem ter versões "direita" ou "esquerda", dependendo da forma como refletem a luz. Elas parecem idênticas fisicamente, mas possuem propriedades biológicas muito diferentes.
Quase todos os aminoácidos existem nessas duas variantes especulares, mas apenas uma delas é encontrada nas proteínas das células do organismo. A outra aparece raramente na natureza, um fenômeno conhecido como "homoquiralidade", quando uma mesma molécula possui uma mesma imagem espelhada, explicou a Real Academia Sueca de Ciências.
Os cientistas questionam há muito tempo como esse processo ocorre, e as descobertas dos dois ganhadores do Nobel permitiram "provocar reações químicas que levam à homoquiralidade", apontou o júri.
Solução para um mistério
Estudos relacionados a esse conceito já foram premiados com o Nobel em 2001. No entanto, o prêmio não foi concedido ao professor Kagan, considerado tanto na França quanto no restante do mundo o "pai" dessa técnica. Isso provocou, na época, protestos por parte do Ministério da Pesquisa da França.
Henri Kagan, de 95 anos, é professor emérito na Universidade de Paris-Saclay. Já Kenso Soai, de 76 anos, leciona na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio. Ele estava fazendo compras perto de casa quando recebeu a grande notícia.
"O dia mais incrível"
O Nobel consiste em um diploma, uma medalha de ouro e um cheque no valor de 12 milhões de coroas suecas, o que equivale a pouco mais de US$ 1 milhão (R$ 4,96 milhões, na cotação atual).
O Nobel de Química é o terceiro prêmio, depois dos de Medicina e Física, que foram anunciados na segunda (5) e na terça-feira (6). Na quinta-feira (8), é a vez do prêmio de Literatura.
O autor húngaro László Krasznahorkai foi o vencedor no ano passado, e vários especialistas consultados pela reportagem esperam que, desta vez, o prêmio vá para uma escritora não europeia. Talvez a americana nascida em Antígua e Barbuda, Jamaica Kincaid, conhecida sobretudo pelo romance "Lucy", a chinesa Can Xue, a argentina Samanta Schweblin ou a mexicana Cristina Rivera Garza.
O dia mais esperado é a sexta-feira (9), quando será anunciado o Nobel da Paz. As chances de Donald Trump recebê-lo são praticamente nulas, mas o presidente americano voltará a ser assunto devido à campanha sem precedentes que realizou em favor de sua candidatura no ano passado.
Mais uma vez, o comitê sabe que está sob os holofotes após a polêmica gerada pela vencedora do ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que presenteou Trump com sua medalha.
O prêmio de Economia encerrará a temporada do Nobel, no dia 12.

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