Trump disse que falará 'muito em breve' com Putin sobre suposto caso de peste pneumônicaJim Watson / AFP
No entanto, tanto os Estados Unidos quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) exigiram transparência de Moscou, e o presidente americano, Donald Trump, disse que falará "muito em breve" com o mandatário russo, Vladimir Putin, sobre o assunto.
"Solicitamos oficialmente mais informações ao governo russo", declarou nesta terça-feira um porta-voz da diplomacia americana. O Departamento de Estado mantém "contato oficial" com outros países para "trocar informações", acrescentou. Uma fonte próxima ao caso confirmou que a solicitação americana foi enviada pelos canais diplomáticos oficiais.
Questionado sobre o assunto, Trump disse que tinha "uma ligação programada" com o presidente russo e que ela ocorreria "muito em breve".
O alerta foi acionado na última semana, quando veio a público que Daria Shipilova, uma funcionária de 28 anos do Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, morreu em decorrência da doença.
A peste pneumônica é uma infecção pulmonar altamente contagiosa que pode ser fatal, segundo a OMS. Ela é transmitida por meio de gotículas, ao contrário da peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e é transmitida por pulgas infectadas.
A principal agência de saúde pública dos EUA (CDC) informou que estava acompanhando "de perto a evolução da situação", embora tenha ressaltado que "nada indica a existência de uma ameaça mais ampla para os Estados Unidos".
Na mesma linha, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou que "o risco é de moderado a baixo para Irkutsk, baixo para a Federação Russa como um todo e muito baixo para a região europeia".
Ainda assim, o chefe da agência de saúde da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que a troca de informações "é essencial para esclarecer relatos contraditórios e permitir uma avaliação precisa dos possíveis riscos".
Pneumonia de origem indeterminada
O órgão também afirmou que a situação sanitária e epidemiológica era estável na região de Irkutsk e, especificamente, na cidade de Shelekhov, onde fica o hospital em que a funcionária do laboratório morreu.
O veículo russo "People of Baikal", que cita fontes anônimas próximas aos serviços de segurança regionais, afirmou na sexta-feira que a mulher poderia ter contraído peste pneumônica por meio de um tubo de ensaio quebrado. Até 200 pessoas com quem ela teve contato estão em quarentena, acrescentou o veículo.
No entanto, o governador regional de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que uma inspeção realizada por uma comissão de especialistas concluiu que "a causa da morte foi uma pneumonia" de origem "indeterminada".
Não foi encontrado no corpo da jovem "nenhum microrganismo relacionado" à sua atividade profissional, insistiu o governador, acrescentando que nenhum funcionário do laboratório havia procurado atendimento médico desde o falecimento.
A agência de saúde informou, na terça-feira, que são detectados 16 mil casos de infecções respiratórias virais por semana em Irkutsk e que, nas duas últimas semanas, não foi registrada nenhuma tendência de alta.

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