O voo tinha partido de Dubai com destino a Tel Aviv com 174 passageiros a bordo, em sua maioria israelenses.Jack Guez / AFP
Inspirado nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o copiloto, agora detido nos Emirados, buscava "causar a maior perda possível de vidas", segundo as conclusões do procurador-geral, publicadas pela imprensa estatal do país.
O copiloto "cumpria os requisitos profissionais e de segurança para o emprego, incluindo possuir uma licença de piloto, apresentar um certificado de boa conduta e concluir as verificações exigidas", afirmou o procurador Hamad Saif Al Shamsi.
"Nenhum dos procedimentos revelou indícios de suas opiniões extremistas nem de sua intenção de executar um plano terrorista", acrescentou.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na semana passada que o homem havia passado por um processo de doutrinação "islamista radical".
Em suas conclusões, o procurador dos Emirados revelou que o copiloto se radicalizou enquanto estudava na Austrália "por meio da leitura de literatura extremista e do acompanhamento de conteúdos na internet que glorificam organizações terroristas e atentados suicidas".
Terceiro voo para Tel Aviv
Segundo o procurador-geral, o homem, identificado em algumas reportagens como Hamam al-Hammami, havia trabalhado anteriormente nas companhias aéreas Oman Air e Royal Air Maroc. Era seu terceiro voo para Tel Aviv, e ele havia aproveitado os dois anteriores para planejar o ataque, acrescentou.
Após ser agredido, o comandante do avião, o piloto indiano Smit Machchhar, conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo a entrada de alguns passageiros e integrantes da tripulação para conter o copiloto.
Um piloto que estava fora de serviço e viajava naquele voo conseguiu assumir o controle da aeronave e realizar um pouso de emergência na Arábia Saudita.
A grande maioria dos passageiros a bordo era israelense. Netanyahu elogiou tanto eles quanto o comandante pela coragem para frustrar o ataque.
Após o episódio, ordenou "uma análise exaustiva de todos os aspectos relacionados à segurança da aviação civil estrangeira com destino a Israel".
Segundo ele, o copiloto teria contornado certas restrições pelas quais pessoas de países que não reconhecem Israel não podem operar voos para o país.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.