Volodimir Zelensky se reuniu com lideranças da União EuropeiaNicolas Tucat / AFP
O presidente americano classificou como uma "vergonha" a retomada dos ataques aéreos ucranianos contra refinarias russas. "É mais difícil trabalhar com Zelensky do que com [o presidente russo, Vladimir] Putin", afirmou Trump, que já pediu várias vezes a renúncia do líder ucraniano e não esconde sua admiração pelo presidente russo.
Em negociações
No entanto, ele teve o cuidado de não virar as costas para o governo Trump. O presidente ucraniano declarou à imprensa que seus colaboradores estão "em negociações com a equipe de negociação americana" e que agendarão uma reunião.
Ele agradeceu aos dirigentes europeus, a quem descreveu como "verdadeiros líderes, ao nosso lado desde o início desta guerra". Na manhã desta sexta-feira, os líderes dos 27 países garantiram seu apoio a Zelensky, que solicitou mais recursos.
"A guerra custará 155 bilhões de euros (877 bilhões de reais) no próximo ano. E precisamos de pelo menos mais 70 bilhões de euros da parte de vocês", declarou Zelensky diante dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, segundo o discurso publicado na rede social X. "É um número realista. E peço que encontrem esse apoio. Isso nos ajudará a conter a Rússia", acrescentou.
"Não é o momento"
Zelensky intensificou as reuniões desde sua chegada à capital belga, na quinta-feira. Conversou com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a quem explicou a importância de reabastecer a Ucrânia com mísseis interceptadores e munições, diante da intensificação dos ataques russos.
A Europa tem munições suficientes para que a Ucrânia possa resistir a este inverno? "Sim, segundo os números de que disponho", assegurou Zelensky nesta sexta-feira, sem dar detalhes.
Vários países europeus, entre eles a Grécia, dispõem de baterias de mísseis Patriot, de fabricação americana, considerados por Kiev como os únicos capazes de interceptar os mísseis balísticos russos. Zelensky também ressaltou a necessidade de manter a pressão sobre Moscou.
Vladimir "Putin ouvirá os Estados Unidos se eles realmente exercerem pressão sobre ele e deixarem algo muito claro: ou ele escolhe a paz, ou deixa de receber dinheiro para sua guerra", frisou.
Uma surpresa desagradável
Na quinta-feira, Musk afirmou que qualquer limitação no sistema de comunicações era responsabilidade da Casa Branca, mas, nesta sexta-feira, uma autoridade americana garantiu que Trump não ordenou a redução dos serviços de satélite da Starshield para a Ucrânia. "O presidente nunca fez nenhuma solicitação desse tipo", afirmou.
A Ucrânia utiliza o Starshield, o serviço de satélite de nível militar da Starlink, para suas comunicações no campo de batalha, para ataques de médio alcance em território ocupado pela Rússia e para seus drones interceptadores.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.