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Coreia do Norte anuncia lançamento de míssil intercontinental

Vetor de médio alcance foi disparado nesta terça e teria caído no mar do Japão. Rússia e EUA confirmaram a realização do teste balístico

Por rodrigo.sampaio

Pyongyang - A Coreia do Norte disparou nesta segunda-feira um míssil balístico que caiu no Mar do Japão, informou a Coreia do Sul, dias após o presidente americano, Donald Trump, examinar com o novo líder sul-coreano, Moon Jae-In, a "ameaça" que Pyongyang representa.

O "míssil balístico não identificado" foi lançado de um sítio próximo a Banghyon, em Pyongan do Norte, uma província do oeste da Coreia do Norte, revelou o Exército sul-coreano em um comunicado.

Projétil de médio alcance lançado pela Coreia do Norte nesta segunda é o primeiro teste intercontinental do paísAFP

Uma porta-voz do ministério sul-coreano da Defesa disse à AFP que o míssil pode ter caído dentro da zona econômica exclusiva do Japão, a menos de 200 milhas náuticas de sua costa.

O chefe de gabinete japonês, Yoshihide Suga, informou que o míssil voou "durante cerca de 40 minutos", um período inusualmente longo. "Este lançamento de míssil balístico jamais poderá ser tolerado. O Japão protestou energicamente com a Coreia do Norte por isto".

O Comando dos Estados Unidos no Pacífico confirmou que a Coreia do Norte realizou mais um teste de míssil, um vetor de médio alcance lançado de terra, que foi rastreado durante 37 minutos e caiu no Mar do Japão. O comunicado destaca que o tiro não representou uma ameaça para os Estados Unidos.

Ao comentar o disparo, Trump exortou a China a adotar medidas decisivas contra a Coreia do Norte. "Por acaso este cara não tem nada melhor a fazer na vida?", tuitou o presidente dos EUA sobre o líder norte-coreano, Kim Jong-Un. "É difícil acreditar que Coreia do Sul e Japão suportem isto por mais tempo. Talvez a China endureça com a Coreia do Norte para acabar com esta tolice de uma vez por todas".

O lançamento ocorre horas antes da comemoração do 4 de julho, a festa nacional de Independência dos Estados Unidos, e em meio a escalada da tensão em torno das ambições nucleares da Coreia do Norte. 

Após sua reunião com Moon Jae-In, na semana passada, em Washington, Trump disse que a "ameaça" norte-coreana exige uma "resposta firme".

Segundo David Wright, especialista da ONG Union of Concerned Scientists, a Coreia do Norte está ampliando o alcance de seus mísseis e este último, por suas características, poderia ter atingido "qualquer lugar" do Estado americano do "Alasca". 

Rússia e EUA confirmam teste

As Forças Armadas russas afirmaram nesta terça-feira que observaram o lançamento pela Coreia do Norte de um míssil balístico que caiu no Mar do Japão após um voo de mais de 500 quilômetros, considerando que se trata de um projétil de médio alcance.

"Os dados de voo paramétricos do objeto balístico correspondem às características táticas e técnicas de um míssil balístico de médio alcance", afirmou o ministério da Defesa em um comunicado.

O governo dos Estados Unidos também afirmou que o teste foi realizado com um míssil de "médio alcance".

Tensão crescente

Pyongyang já lançou vários mísseis desde a chegada de Moon ao poder na Coreia do Sul. O presidente sul-coreano defende a imposição de mais sanções para impedir que seu vizinho comunista desenvolva um arsenal nuclear e balístico.

Após o disparo desta terça-feira, Moon convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança Nacional em Seul para examinar a resposta.

Desde que chegou à Casa Branca, Trump tenta convencer a China a exercer sua influência para conter o governo da Coreia do Norte, o que até o momento não tem dado resultados.

Pyongyang tenta desenvolver um míssil balístico intercontinental capaz de transportar ogivas nucleares.

Sucessivos pacotes de sanções impostos pela ONU desde o primeiro teste nuclear norte-coreano, em 2006, não conseguiram dissuadir Pyongyang a abandonar seus programas.

A Coreia do Norte já realizou cinco testes nucleares subterrâneos, sendo dois em 2016, e afirma que vai desenvolver um míssil intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos.


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