Por lucas.cardoso

Caracas - O governo venezuelano e seus simpatizantes fizeram nesta quarta-feira um inesperado ato na sede do Parlamento por ocasião do Dia da Independência e cinco pessoas, entre eles três deputados opositores, ficaram feridas nos confrontos.

Maioria na Casa, a oposição reagiu, chamando o ato de "assalto" e "provocação para gerar violência". O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, condenou a invasão de seus partidários e ordenou uma investigação dos fatos.

"Condeno absolutamente esses fatos, até onde eu os conheço. Jamais serie cúmplice de nenhum ato de violência", declarou Maduro em um desfile militar pela data nacional, quando também se referiu a "fatos estranhos".

Apoiadores do presidente venezuelano Nicolás Maduro invadem parlamentoAFP

Durante a solenidade, simpatizantes do governo chegaram a invadir o Parlamento com violência, de fato, e o caos se instalou. Os deputados Américo de Grazia, Nora Bracho e Armando Armas foram agredidos violentamente na cabeça, segundo a deputada Yajaira de Forero.

Segundo eles, outros dois funcionários da Assembleia também ficaram feridos. Dezenas de pessoas, algumas encapuzadas, com pedaços de pau nas mãos e vestidas de vermelho, tomaram os jardins do Palácio Legislativo e detonaram rojões, gerando muita confusão.

Manifestantes tentaram bloquear importante avenida em Caracas após morte de manifestante em JunhoAFP

Os jornalistas que cobriam o ato na Assembleia foram obrigados pelos partidários do governo a interromper os registros, e um dos vândalos portava uma arma de fogo. A cerimônia, que não estava prevista na agenda do Legislativo, foi liderada pelo vice-presidente Tareck El Aissami, que chegou acompanhado do ministro da Defesa e chefe da Força Armada, Vladimir Padrino López, assim como de membros do gabinete e de partidários chavistas.

Durante o evento, expôs-se a ata de Independência do país, firmada há 206 anos. El Aissami fez um discurso de cerca de 15 minutos, no qual acusou a oposição de "sequestrar" o Poder Legislativo. Os adversários de Maduro dominam a Casa, com folga, desde sua esmagadora vitória nas urnas em dezembro de 2015.

O presidente venezuelano, Nicolas MaduroEfe

"Estamos precisamente nas instalações de um poder do Estado que foi sequestrado pela mesma oligarquia que traiu Bolívar e sua causa", disse o vice-presidente, deflagrando aplausos dos convidados.

A crise política venezuelana se encontra em uma fase de alta tensão por protestos da oposição que deixaram 91 mortos em três meses e pela convocação de uma Assembleia Constituinte, por parte do presidente Nicolás Maduro.

O vice El Aissami advertiu que Maduro não se renderá, nem cederá em seu propósito de levar a Constituinte adiante. "Aqui está um presidente digno que nunca se renderá, nem permitirá que a Venezuela seja colônia de qualquer potência estrangeira", declarou.

"Foi um assalto ao Palácio Federal. Isso podia ter sido feito em coordenação com a mesa-diretora da Assembleia", criticou o deputado Tomás Guanipa, antes da cerimônia parlamentar especial.

Já o ex-presidente da Assembleia, o ex-deputado Henry Ramos Allup, disse não se surpreender com essa "provocação". Para ele, o governo está disposto a "qualquer coisa", do mesmo modo que a Constituinte foi convocada sem um referendo consultivo prévio.

"É um governo terminal sustentado pelas baionetas e pelas decisões do Tribunal Supremo da Justiça", denunciou Ramos Allup. 

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