Niterói: vereadora e ativista Benny Briolly promoveu transformação e acolhimentoDivulgação

Niterói - Mais do que uma ação simbólica: A vereadora de Niterói e ativista, Benny Briolly, promoveu um dia especial de TransFormação para uma mulher trans da Baixada Fluminense, num gesto concreto de cuidado, reconhecimento e dignidade. A iniciativa, que aconteceu neste fim de semana, evidencia que a luta pela visibilidade trans não pode se restringir a um único mês do ano. Para Benny, a pauta precisa ser permanente, traduzida em ações contínuas que impactem vidas reais. Por isso, a ativista segue realizando projetos e iniciativas ao longo do ano, fortalecendo a presença, o cuidado e o reconhecimento das pessoas trans para além do calendário simbólico de janeiro.
Primeira parlamentar trans eleita e reeleita no Rio de Janeiro, Benny Briolly é reconhecida nacionalmente por sua luta em defesa dos direitos das pessoas LGBTQIAPN+, das pessoas pretas, das mulheres e dos povos periféricos. A ação faz parte de uma série de iniciativas que a ativista vem realizando em celebração à visibilidade trans, reforçando que visibilidade também é cuidado, acesso e oportunidade. “A visibilidade trans não pode ser lembrada apenas em janeiro. Ela precisa existir todos os dias, em políticas públicas, em afeto, em cuidado e em oportunidades reais. Nosso compromisso é permanente, porque nossas vidas não são sazonais”, afirma Benny Briolly.
A seleção da participante foi realizada por meio das redes sociais da ativista, que recebeu inúmeras inscrições de mulheres trans de diferentes histórias e realidades. A contemplada foi Joy Elle Gomes de Souza, de 26 anos, social media, cuja trajetória emocionou a equipe e simboliza a força e a resistência de tantas mulheres trans brasileiras.
SOBRE JOY ELLE
A história de Joy é marcada por silêncios, resistência e coragem. Desde a infância, ela já sentia que não se encaixava nos padrões impostos, enfrentando preconceito no ambiente familiar e escolar, além de episódios de bullying e exclusão. Por muito tempo, viveu reprimindo quem era para tentar se adequar às expectativas da sociedade. A transição, vivida já na vida adulta, representou um processo de libertação, mas também trouxe novos desafios, especialmente no convívio social, religioso e profissional. “Na minha infância, não entendia a questão transição de gênero, mas sabia que eu era diferente das outras crianças. Tanto no ambiente em que vivia com a minha família, quanto no ambiente escolar. Sofrei muito bullying e grande parte de minha família não sabe disso. Sofria calada, porque dentro de casa eu também já ouvia que tinha que me comportar, que não podia desmunhecar, tinha que falar, sentar, agir igual homem... Sempre fui uma criança muito doce. E acredito que roubaram um pouco de quem eu era. Cheguei a sofrer até mesmo um abuso. E isso me dói até hoje”, relembrou.
Apesar das dores do passado, Joy nunca deixou de acreditar em um futuro possível. “Dentro da minha família, se assumir como uma mulher trans, foi algo complicado. E a minha relação com eles hoje é muito controversa. As pessoas sabem, mas não tocam no assunto, porque para eles incomoda. Mas a transição não é algo sobre eles, é algo sobre mim e sobre a minha liberdade. Não vou deixar de quem sou, porque alguém se sente incomodada com isso. Poder ser quem eu sou, me olhar no espelho e gostar do que vejo foi libertador”, resume Joy, acrescentando sobre como a fé e a espiritualidade a ajudaram. “As coisas mudaram muito pra mim quando conheci o candomblé. A Fé mudou a minha a minha visão do mundo e a minha vida. Eu tinha aversão de pessoas cristãs por conta de situações que passei de quase exorcismo dentro daquele ambiente. Eu orava pedindo para Deus me mudar e ele não me mudava. E quando conheci o candomblé, a espiritualidade me deu um rumo. Fui acolhida. Tive algumas dores que foram curadas e me emociono quando falo disso”, completou. Hoje, ela vive em Belford Roxo, cidade onde cresceu, reconectando-se com parte da família e reconstruindo sua trajetória com mais autonomia e autoestima.
A Transformação - O Dia de TransFormação contou com um cronograma especial, que incluiu escolha de looks, cuidados estéticos e momentos de acolhimento. O antes e depois de Joy surpreendeu, não apenas pela transformação estética, mas principalmente pelo impacto emocional. A ação elevou significativamente sua autoestima, refletida na segurança, no sorriso e na forma como passou a se enxergar. “Almoçamos, passamos na RDLay para fazer a escolha das roupas. A vendedora foi super atenciosa. Foi um dia muito acolhedor. Depois fomos ao dentista Dr. Fagner Nunes, que também realiza alguns procedimentos estéticos e ele falou que meu rosto já tem bastante traços femininos e como queria algo bem natural, ele fez um preenchimento no queixo, pra deixar um pouco mais arredondado, entre outros procedimentos. Além de limpeza e reparos no meu dente. Estou me sentindo incrível, bonita e inabalável. Isso mexeu comigo de uma forma que não sei explicar”, contou Joy, emocionada e grata pela iniciativa.
A ação reforça que o trabalho de Benny Briolly vai além do discurso institucional, transformando a visibilidade trans em ações permanentes, que impactam vidas reais com afeto, respeito e transformação. “Cada mulher trans carrega uma história atravessada por dores, mas também por muita força. Ver a Joy se reconhecendo, admirando e se sentindo bonita é a confirmação de que esse trabalho precisa continuar. É por isso que sigo lutando todos os dias, dentro e fora da política”, conclui a vereadora niteroiense Benny Briolly.