Niterói: presidente do Sintronac, Rubens dos Santos OliveiraDivulgação
As palestras refletem a integração do Sintronac à campanha do Abril Azul, mês de conscientização sobre o TEA, e serão realizadas por profissionais de psiquiatria, psicologia, neurologia, pediatria, fonoaudiologia, odontologia e psicopedagogia, todos ligados ao tratamento de autistas.
O evento de segunda-feira, aberto a todos os rodoviários e seus familiares, será realizado na sede administrativa do Sintronac, na Rua Marechal Deodoro, 74, Centro de Niterói, às 9h e às 14h. “Decidimos implantar o atendimento a filhos de rodoviários com TEA, pois sentimos, no dia a dia do nosso Departamento Médico, a necessidade urgente do serviço. Havia muitos relatos de rodoviários, que retratavam seus filhos com as caraterísticas do autismo. Assim, nos integramos ao Abril Azul e começamos a incrementar esses atendimentos”, revela Rubens dos Santos Oliveira, presidente do Sintronac.
Jussara Lage, psicóloga especializada em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), que atua no Sintronac, a identificação do TEA em crianças, adolescentes e mesmo adultos, tem sido um desafio cada vez maior para um amplo conjunto de profissionais da saúde mental. “Para chegarmos a um possível diagnóstico, primeiro fazemos uma entrevista com os responsáveis pelos menores. Não há uma identificação pelos sintomas, pois cada caso é único. O importante é observarmos o comportamento da pessoa, o andar, o falar, atrasos na linha de raciocínio, seletividade alimentar, prematuridade, comportamentos repetitivos, não ter contato visual, hipersensibilidade auditiva. Mas lembro que um desses sintomas isolado não significa nada. Precisamos de, no mínimo, um conjunto de cinco sintomas. Não é uma regra rígida, mas, como o TEA pode estar associado a comorbidades, seu diagnóstico é muito importante para a saúde física e mental das crianças e jovens”, afirma.
Jussara destaca a importância da implantação do atendimento a autistas no Sintronac. “Um recorte sobre nosso trabalho no Sintronac dá uma ideia da importância da atenção ao TEA. Comecei no sindicato em março de 2024 com três pacientes. A demanda inicial era encaminhada pelo neurologista. O volume, em menos de seis meses, cresceu de três para uma média de 14 pacientes”, aponta.
O Censo Demográfico 2022, realizado pelo IBGE, identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA, o que corresponde a 1,2% da população brasileira. A prevalência foi maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%): 1,4 milhões de homens e 1,0 milhão de mulheres foram diagnosticados com autismo por algum profissional de saúde. Entre os grupos etários, o de maior prevalência foi o de 5 a 9 anos (2,6%).

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