Niterói: o ex-prefeito Axel Grael visitou ecofábrica no Rio de JaneiroDivulgação
Além de Grael, estiveram presentes também Marcos Santana Lacerda, presidente do Instituto Terra Azul e ex-subsecretário do Clima de Niterói, e Adriano Felício, presidente da Associação de Moradores do Morro da Penha – Portugal Pequeno, em Niterói. Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto o funcionamento da ecofábrica, que transforma óleo de cozinha usado em sabão ecológico biorremediador e outros produtos de limpeza, como detergentes e pastilhas, utilizando microrganismos capazes de auxiliar no tratamento de efluentes, por meio de uma tecnologia inovadora desenvolvida com o apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A iniciativa integra práticas de economia circular, educação ambiental e inclusão produtiva, com atuação de mulheres da própria comunidade que, por meio do projeto, conquistam autonomia financeira, geração de renda e mais tempo de qualidade com suas famílias. Para Axel Grael, a experiência da Mangueira evidencia como soluções locais podem gerar impacto ambiental e social simultaneamente:
“Evitar que o esgoto da comunidade chegue sem tratamento no Rio Maracanã e depois na Baía de Guanabara é tão importante quanto reduzir o mau cheiro nas vielas e dar emprego. Por isso, a fábrica da Omìayê, na Mangueira, é desenvolvimento com sustentabilidade na prática. Leva saúde, emprego e dignidade para a comunidade ao mesmo tempo em que protege o meio ambiente e dá qualidade de vida”, afirmou.
Ele também destacou o potencial de expansão da iniciativa para outros territórios: “A fábrica da Omìayê na Mangueira é totalmente replicável em outras comunidades. Inclusive viemos com um representante da associação de moradores do Morro da Penha, em Niterói, e a prefeitura tem programas que podem ajudar a viabilizar a chegada do projeto por lá”, pontuou.
Com origem na própria comunidade, a ecofábrica já acumula resultados expressivos. Foram produzidos mais de 103 mil litros de microrganismos biorremediadores, com capacidade estimada de tratar cerca de 320 milhões de litros de esgoto. Além disso, mais de 6.600 litros de óleo de cozinha usado foram coletados, evitando a contaminação de mais de 164 milhões de litros de água.
“É um projeto de tecnologia social que reúne uma diversidade de benefícios para a comunidade. Atua no saneamento, na geração de renda, na saúde e na educação, formando pessoas capacitadas dentro do próprio território. Existe um potencial de conectar iniciativas e, no futuro, gerar benefícios para moradores que participam desse ciclo sustentável”, evidenciou Lacerda.
“Mais do que a tecnologia, o que mais chama atenção é a transformação de vida. Ouvir relatos de pessoas que mudaram sua realidade a partir do projeto é muito forte. É um modelo que gera renda, dignidade e perspectiva para os moradores”, disse Felício.
Esse ciclo produtivo também resultou na fabricação de aproximadamente sete toneladas de sabão ecológico e cerca de 1.600 litros de produtos líquidos, como detergentes e lava-roupas, que são distribuídos gratuitamente na própria comunidade, reforçando o acesso a soluções sustentáveis e ampliando o impacto local.
Para Jessica Delgado, Coordenadora do Projeto Omìayê, a visita reforça a importância de conectar territórios e ampliar o alcance da tecnologia social desenvolvida na Mangueira. “Receber lideranças públicas e representantes de outros territórios aqui na Mangueira é fundamental para mostrar que essa tecnologia social funciona na prática. Estamos falando de uma solução que nasce dentro da comunidade, resolve problemas reais e ainda gera renda e conhecimento. Quando essas pessoas conhecem de perto, elas entendem que é possível replicar esse modelo e adaptar para outras realidades”, explicou.
A visita também reforça o papel da ecofábrica como espaço de intercâmbio entre poder público e iniciativas comunitárias, contribuindo para a disseminação de soluções sustentáveis construídas a partir dos próprios territórios.
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