Niterói - Protagonizado pela niteroiense Marcela Treze, o retorno do espetáculo Menina Mojubá a Niterói, com o incentivo do Sesc, tem um significado especial. Foi na Vila 13, no bairro do Fonseca, que nasceram os primeiros ensaios e encontros criativos que deram origem ao espetáculo. O local também inspirou o sobrenome artístico de Marcela Treze e de outros artistas de sua família que integram a montagem. Após temporadas e apresentações que conquistaram público em diversas cidades do Brasil, a peça volta à cidade natal da atriz e dramaturga para se apresentar no Sesc Niterói, na quinta-feira (18), às 18h, com entrada gratuita.
Ao longo de quase três anos, o espetáculo manteve-se vivo de forma independente e consolidou-se como um verdadeiro fenômeno de público, lotando salas de teatro por onde passou. A peça, que já foi vista por mais de 15 mil pessoas, atualmente está em circulação pelo Sesc RJ, marcando a virada de um projeto que se firmou sem grandes financiamentos culturais, mas encontrou no reconhecimento de inúmeras plateias o impulso necessário para crescer. Nesta apresentação a equipe também contará especialmente com a participação de Beà Ayòóla, vencedora do Prêmio Shell na categoria Música.
Marcela conduz uma narrativa potente, marcada pela força feminina, ancestralidade e resistência e comenta sobre sua ligação com a cidade. “O sobrenome ‘Treze’ vem da Vila 13, onde eu cresci, no Fonseca. Foi ali que a gente se reunia para gravar músicas, pensar arte e construir sonhos coletivamente. Os primeiros ensaios de Menina Mojubá aconteceram lá. Hoje eu carrego esse nome como forma de nunca esquecer de onde tudo começou”, conta.
Desconstruindo estereótipos e convidando o público a uma reflexão mais sensível e humanizada sobre as religiões de matriz africana, Menina Mojubá oferece uma nova perspectiva sobre a figura de pombagira. A montagem proporciona uma experiência imersiva que inclui música ao vivo, aromas de ervas e elementos da ritualística de terreiro. “A gente espera despertar identificação, pertencimento e até nostalgia em quem vive essa realidade. E empatia em quem não vive. Queremos provocar interesse pelas narrativas de axé e lançar um novo olhar sobre essa figura tão marginalizada na nossa sociedade. Que as pessoas percebam a força dessa figura feminina”, ressalta Marcela Treze.
Com uma trajetória rara, o espetáculo ampliou alcance, lotou salas de teatro e conquistou um público fiel, acumulando mais de 100 mil seguidores nas redes sociais. Um movimento pouco comum em produções independentes, frequentemente atravessadas pela dificuldade de se manter. A força dessa caminhada já levou a montagem a diferentes territórios do país, com apresentações em cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Piauí e Rio Grande do Norte. Além disso, o espetáculo acumula 20 prêmios e 24 indicações no formato de esquete, consolidando-se como uma obra de forte impacto social e artístico.
“As primeiras apresentações de Menina Mojubá tinham cinco pessoas. Já fizemos temporadas com cerca de 30 espectadores por sessão. A conta não fechava. Tudo isso poderia ter nos feito desistir, mas tivemos muita força para continuar. O que mais me orgulha é termos acreditado e mantido o projeto vivo”, destaca. “Menina Mojubá é um espetáculo essencialmente pautado na ancestralidade, sendo também um movimento de reconhecimento e valorização das entidades de matrizes africanas, muitas vezes mal compreendidas e estigmatizadas na sociedade. “Todos os dias antes de começar a apresentação, eu peço aos meus guias que entreguem aquilo que as pessoas buscam ali. Peço para que saiam encantados pela beleza de pombagira e certos que essa entidade transmite amor”, conclui.
Este projeto é realizado através do Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, iniciativa do Sesc RJ que incentiva a produção artística e cultural em suas diversas manifestações.
SINOPSE
Uma criança brasileira cresce nas ruas e descobre carregar consigo uma força ancestral. Se torna uma pombagira após seu trágico falecimento, tornando-se uma figura poderosa no mundo espiritual, capaz de proteger e livrar todos que tenham caminhos semelhantes aos seus. A história entrega um verdadeiro presente ancestral, apresentando ao espectador elementos da ritualística de terreiro: sons do tambor, aroma das ervas e pontos cantados. Assim são apresentadas as entidades, suas vestimentas, trejeitos e forças, em uma experiência que une dança, música e muita energia feminina.
FICHA TÉCNICA
Elenco: Marcela Treze e Gabriel Gama Direção: Gabriel Gama Dramaturgia: Marcela Treze Direção Musical: César Lira Figurino: Wanderley Gomes Preparação Corporal: Cátia Costa Iluminação: Isabella Castro Assistência de Iluminação e Operação de Luz: Junio Nascimento Assistência de Produção: Veronica Treze Operação de Som: Pedro Treze Design: Lucas Aguiar Contrarregra: Schneider Assessoria de Imprensa: Monteiro Assessoria
SERVIÇO
Data: 18 de junho (quinta-feira) Horário: 18h Local: Sesc Niterói Endereço: R. Padre Anchieta, 56 - São Domingos, Niterói - RJ Classificação indicativa: 10 anos Ingresso: Gratuito
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