Niterói: a médica Lilia Ribeiro Guerra explica que, quanto mais rapidamente o veneno é neutralizado, maiores são as chances de um bom desfechoDivulgação/HUAP
Tempo entre acidente e aplicação do soro é decisivo em picada de serpente
Especialista do Huap-UFF concentra atendimento especializado e orientação a profissionais de saúde
O tempo entre a picada de uma serpente e a aplicação do soro antiofídico pode ser decisivo para a sobrevivência do paciente e para evitar complicações graves, como hemorragias, insuficiência respiratória e até amputações. O alerta é do Centro de Controle de Intoxicações (Ciatox) do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), vinculado à HU Brasil, em alusão ao Dia Internacional de Conscientização sobre Acidentes Ofídicos, celebrado em 19 de setembro.
Coordenadora clínica do Ciatox do Huap-UFF, a médica Lilia Ribeiro Guerra explica que, quanto mais rapidamente o veneno é neutralizado, maiores são as chances de um bom desfecho, especialmente nos acidentes classificados como graves. “O tempo entre o acidente e a administração do soro é primordial para o êxito do tratamento, pois quanto mais rápido neutralizarmos o veneno, maior é a chance de sobrevivência nos acidentes graves, e menor a possibilidade de complicações”, ressalta a especialista.
A recomendação central é não adotar medidas caseiras e não perder tempo na busca pelo atendimento especializado. “Os cuidados iniciais são lavar a lesão com água e sabão, elevar o membro e beber água. O mais importante é não fazer garroteamento, não realizar cortes no local para tentar retirar o veneno e não colocar produtos caseiros, como pó de café, sobre a lesão. É fundamental procurar atendimento hospitalar de emergência o mais rápido possível”, destaca.
Referência no Estado
O Centro de Controle de Intoxicações do Huap-UFF/HU Brasil concentra atendimento especializado e orientação a profissionais de saúde em casos de acidentes ofídicos na Região Metropolitana II, embora a região também conte com unidades de atendimento em Rio Bonito e Itaboraí. Nos últimos oito meses, foram registrados 26 atendimentos a acidentes ofídicos no Huap-UFF.
Além do atendimento aos pacientes, a equipe realiza acompanhamento e orientação médica à distância e oferece suporte a profissionais de outras unidades de saúde em casos de intoxicação e de acidentes envolvendo animais peçonhentos. Dessa forma, o serviço atua não apenas no atendimento direto aos casos que chegam ao hospital, mas também como referência para orientar a conduta de profissionais diante dessas ocorrências.
Principais inimigos
Os sinais provocados pelo envenenamento podem variar de acordo com a espécie responsável pela picada e com a gravidade do acidente. Segundo Lília, a espécie de serpente mais frequente na região é a Bothrops jararaca, conhecida popularmente como jararaca.
“Nos casos envolvendo Bothrops, podem ocorrer dor, edema, equimose, bolhas e sangramento”, detalha a médica. Em acidentes envolvendo serpentes adultas, é comum que a dor, o edema e a formação de bolhas sejam mais intensos. Já nos acidentes envolvendo filhotes, o sangramento e a equimose podem ser mais evidentes.
Embora a jararaca seja a espécie mais frequente na região, acidentes envolvendo outras serpentes também podem ocorrer, com manifestações e formas de tratamento diferentes. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar o tipo de acidente e definir a necessidade e a quantidade de soro antiofídico a ser administrado.
Protocolo no Huap
Na chegada do paciente ao hospital, a equipe avalia a história e o cenário do acidente, a região onde ocorreu a picada e os sinais e sintomas apresentados. Em cerca de 90% dos casos, o diagnóstico é feito a partir dessas informações, devido à ausência ou não identificação do animal no momento do atendimento.
“As principais etapas no atendimento são a identificação do animal, a classificação do acidente e a administração do soro específico o mais rápido possível”, explica a coordenadora.
A conduta inclui ainda cuidados destinados a prevenir complicações: a higienização e a antissepsia para reduzir o risco de infecção secundária, a elevação do membro para diminuir o edema e prevenir a síndrome compartimental, e a hidratação venosa para reduzir o risco de insuficiência renal aguda.
Sobre a HU Brasil
O Huap-UFF integra a HU Brasil desde abril de 2016. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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