Cunhada de Vaccari nega participar de esquema de desvios da Petrobras

Em depoimento à Polícia Federal, Marice Lima diz que seu patrimônio tem origem lícita

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Presa na 12ª fase da Operação Lava Jato, Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, negou nesta segunda-feira qualquer tipo de participação no esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. No depoimento de duas horas prestado ontem na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, Marice garantiu que seu patrimônio teve origem lícita, e afirmou que todos os seus bens estão declarados no Imposto de Renda.

A cunhada de Vaccari é suspeita de ser uma emissária do ex-tesoureiro e de ter participação nos desvios da Petrobras. A movimentação financeira dela foi considerada incompatível com sua renda, e há registro de uma entrega de dinheiro pelo doleiro Alberto Youssef a Marice.No depoimento, ela negou ter recebido valores de Youssef. “Não é verdade, não aconteceu”, disse Cláudio Pimentel, advogado de Marice.

Marice está presa desde sexta-feira na carceragem da PF, em CuritibaGazeta do Povo

À Polícia Federal, a cunhada de Vaccari explicou que foi ao Panamá participar do Fórum Sindical das Américas. Por isso, Marice demorou dois dias para se entregar à polícia. Ela ocupa o cargo de coordenadora financeira da CSA (Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas). A entidade confirma sua participação no congresso. O evento ocorreu no dia 9 de abril, mas Marice viajou antes, no dia 5.Encerrado o fórum, ela permaneceu no Panamá, de férias.

A prisão temporária da investigada vence nesta terça-feira. O juiz Sergio Moro, que conduz o caso na Justiça Federal do Paraná, deve decidir se a liberta ou se converte sua prisão para preventiva (sem data para saída).

Depois de resolverem fazer delação premiada, executivos da Camargo Corrêa vão depor, como testemunhas de acusação, na ação penal contra o ex-tesoureiro do PT. Em despacho emitido ontem, o juiz Sergio Moro estabeleceu para o dia 18 de maio os depoimentos do presidente, Dalton Avancini, e do vice-presidente da empreiteira, Eduardo Hermelino Leite, em uma ação penal em que Vaccari Neto se tornou réu sob acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

JUSTIÇA VETA PEDIDO DE LIBERDADE PARA EX-PETISTA

A Justiça negou o pedido de liberdade para João Vaccari Neto nesta segunda-feira. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, negou o pedido de liminar no habeas corpus e a tese da defesa de que a detenção do ex-tesoureiro tenha se baseado apenas em “meras suspeitas”, sem que tenha existido indício sólido de que o petista participasse do esquema de corrupção na Petrobras.

"O decreto prisional combatido tem por fundamento palavra de delator, sem que, de modo algum, alguma prova corrobore a sua versão", dizia a petição protocolada pela defesa de Vaccari. O advogado também alegou que transações bancárias não justificam a prisão.

O desembargador federal João Paulo Gebran Neto, relator do caso da operação Lava Jato no TRF-4, entendeu que “ao exame do pedido liminar, não se verifica, de plano, flagrante ilegalidade no decreto prisional que justifique a intervenção na decisão de primeiro grau, resguardando-se exame mais acurado após informações e parecer ministerial”. O mérito do pedido de habeas corpus deverá agora ser analisado pela 8ªTurma do Tribunal Regional Federal. Entre os motivos apresentados pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, para pedir a prisão de Vaccari, estão as denúncias feitas em delações premiadas que acusaram o ex-dirigente petista de envolvimento no esquema criminoso.

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