Martha Imenes - ODIA  - divulgação
Martha Imenes - ODIA divulgação
Por MARTHA iMENES*
Quando um presidente diz que o país está quebrado as consequências econômicas são desastrosas. Para começar ele sinaliza aos credores que o Brasil não tem condições de honrar suas dívidas e afugenta investidores. Leia-se: empresas que têm projetos no país ou que estavam pretendendo entrar, além de negócios em andamento. Com isso os empregos que poderiam ser gerados vão por água a baixo e a consequente circulação de dinheiro no mercado interno despenca.
Com 14 milhões de desempregados no Brasil, segundo levantamento do IBGE, e com a pandemia de coronavírus - sem previsão de vacinação e com o governo federal suspendendo a compra de agulhas e seringas -, o resultado não poderia ser pior. Acrescente nesse cenário o fim do auxílio emergencial pago a informais, autônomos, mães chefes de família, e pessoas que perderam a renda por causa da pandemia. Serão 24 milhões de pessoas mergulhadas na pobreza extrema em todo país. Só o Rio responde por 5,5 milhões.
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Economistas, como Mauro Osório e Raul Velliso, por exemplo, têm advertido que é preciso estender o auxílio emergencial não só para assistir às famílias mas para manter a Economia em 'movimento'. O dinheiro pago a 66 milhões de pessoas (número de cadastrados, segundo o Ministério da Cidadania) volta para Economia em forma de impostos, como ICMS e IPI, por exemplo, e é utilizado para comprar comida, pagar conta de energia, gás, produtos de limpeza, entre outros itens.
Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O governo alega que não pode estender o auxílio por conta do teto de gastos. Mas, segundo especialistas em contas públicas, diante da pandemia - classificada como cenário de guerra - bastaria ao governo estender o benefício e criar uma data limite. Desta forma o gasto seria justificável.
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O senador Paulo Paim (PT-RS) defende a volta do auxílio de R$ 600, pago na primeira leva do programa emergencial até o fim da pandemia. E por que o governo não toma essas medidas? A minha análise é de que falta vontade política e compromisso de Bolsonaro com a vida dos brasileiros. O desemprego não para de subir, a pandemia persiste (e não irá embora tão cedo por inércia do governo federal), e o Brasil já soma quase 198 mil mortes pela covid-19. O cenário é desesperador.... 
O mandatário do país ao invés de falar para sua claque, que a tudo aplaude sem pensar nas consequências, deveria calar e agir para salvar vidas. É importante destacar que o Bolsonaro não foi eleito por maioria. Foram 57.797.847 votos válidos a favor; 47.040.906 votos contra e 42.466.402 que optaram por não votar. Desse total foram 31.371.704 abstenções; 8.608.105, nulos; e 2.486.593 brancos. Ou seja, 89.507.308 de pessoas não votaram em Bolsonaro.
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Mas ele, como presidente da República, tem a responsabilidade de governar para todos. Estamos em duas frentes de guerra: uma contra o coronavírus e outra ante a irresponsabilidade governamental. Quem vai ganhar? Difícil prever.

*É jornalista