Alan Pereira  - Divulgação
Alan Pereira Divulgação
Por Alan Pereira*
Nós brasileiros somos conhecidos por inúmeras virtudes. Povo acolhedor, divertido, alto astral, solidário e até amoroso são algumas dessas características dignas de orgulho. Por outro lado, esse traquejo peculiar, o jogo de cintura e a “malandragem”, muitas vezes extrapolam o bom senso e são utilizados para atitudes nada nobres. O que temos visto nessa pandemia, desde as atitudes de governantes que superfaturaram itens básicos para o atendimento à população, passando pela politização do tema e chegando no absurdo inconcebível de furar fila de vacinação, nos envergonha e demonstra que ainda temos que amadurecer muito enquanto nação e, essencialmente no significado de cidadania.
Gonzaguinha, um dos ícones da Música Popular Brasileira, em sua canção simplesmente intitulada como “É”, diz num trecho que “...a gente quer viver pleno direito; a gente quer viver todo respeito; a gente quer viver uma nação; a gente quer é ser um cidadão; a gente quer viver uma nação...”. No entanto, a canção que surgiu como um verdadeiro “grito” diante de um momento difícil que o país viveu nos anos de chumbo, período esse que, infelizmente, é exaltado pelo atual presidente, ainda se faz atual.
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O Brasil vivia ali a repressão, a censura e a violência desacerbada. A reivindicação por direito e cidadania era legítima e se fazia mais do que necessária. Mas, ainda temos essa mesma carência mais de 30 anos depois da redemocratização. Basta olharmos a realidade das nossas escolas, saúde, moradia, desemprego e o alto número de pessoas vivendo na pobreza e na miséria, aonde a cidadania passa longe.
E o interessante e também lamentável é que todo mundo, independente de ideologia, quer direito, mas se esquivam dos deveres ou tentam driblar regras em benefício próprio ou de grupos. Enquanto milhões de brasileiros morrem com esse vírus, políticos visam as eleições de 2022, demonstrando a menor capacidade de gerir um país, estado ou município. O Brasil está sendo considerado o pior na condução da pandemia em todo o mundo e tudo fica por isso mesmo.
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E para piorar, não só políticos, mas cidadãos comuns decidiram agora, quando a luz no fim do túnel aparece, mostrar a faceta da total falta de escrúpulo, consciência e humanidade, travestida de um jeitinho brasileiro que em nada simboliza um povo tão especial como o nosso. Pular fila de vacinação, realmente, é mais do que lamentável.
Somos sim um povo especial e resistente. Lembrando outro mestre da MPB, Zé Ramalho, em “Admirável Gado Novo”, com tudo que passamos, somos um “...povo marcado eh...povo feliz“ e com a incrível capacidade de ainda sorrir.

*É jornalista e empresário