Isa Colli é jornalista e escritora Divulgação
Isa Colli: Reflexões sobre mudanças climáticas no momento em que o Brasil está no centro da agenda ambiental
O mês de março é importante para refletirmos sobre os impactos das alterações do clima no planeta, já que é nele que se celebra o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (16/3). E este ano, o debate pode ter um peso a mais: o de chamar atenção não apenas do país, mas de todo o mundo para as questões urgentes que envolvem o meio ambiente. Isso porque os olhos do planeta estarão voltados para Belém, na Amazônia, que vai ser palco da Conferência do Clima sobre Mudanças Climáticas (COP 30). O evento será somente em novembro, mas os preparativos estão a pleno vapor e o assunto está em alta.
Os recentes eventos climáticos severos, como os tornados devastadores nos Estados Unidos e as temperaturas recordes registradas em alguns estados brasileiros, impõem essa reflexão mais que urgente sobre os impactos das mudanças climáticas. O calor extremo e os fenômenos meteorológicos violentos estão se tornando cada vez mais frequentes, trazendo consequências alarmantes para a sociedade e o meio ambiente.
De acordo com dados de institutos meteorológicos, 2024 registrou um dos períodos mais quentes da história. O aumento das temperaturas é impulsionado, em grande parte, pela emissão desenfreada de gases de efeito estufa, fruto de atividades humanas, como o desmatamento, o uso intensivo de combustíveis fósseis e a utilização insustentável dos recursos naturais. Esse cenário tem intensificado fenômenos como ondas de calor, secas, tempestades e enchentes.
A situação no Brasil é preocupante. São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, registrou temperaturas superiores a 40°C, gerando crises hídricas e impactos diretos na saúde pública. No Rio de Janeiro, o calor extremo também coloca em risco principalmente idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade. No cenário internacional, a Europa também enfrenta eventos atípicos, como a neve fora de época na Bélgica, onde precipitações ocorreram durante o outono.
Diante desse quadro, é fundamental refletirmos sobre nossas ações individuais e coletivas. Pequenas mudanças no cotidiano podem fazer a diferença, como a redução do consumo de energia elétrica, a adoção de meios de transporte sustentáveis e a participação ativa em iniciativas ambientais. No entanto, ações individuais não são suficientes. É essencial cobrar de governantes e empresas medidas eficazes para reduzir as emissões de carbono, promover energia limpa e implementar políticas públicas que mitiguem os impactos das mudanças climáticas. E a COP 30 pode ser uma oportunidade de ouro para alcançar esse objetivo.
A crise climática já é uma realidade. Enfrentá-la exige compromisso, responsabilidade e ação imediata. Cabe a cada um de nós decidir se seremos parte da solução ou apenas espectadores das consequências de nossa própria negligência.
Por Isa Colli, escritora e jornalista

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