Karla SoaresDivulgação
As mulheres sempre foram protagonistas na luta por direitos e equidade, mesmo que, historicamente, tenham sido silenciadas e invisibilizadas. No AfroReggae, esse protagonismo não apenas é reconhecido, mas impulsionado. Todos os dias, vejo mulheres, que moram na periferia, resilientes não apenas participando, mas construindo, reinventando e liderando projetos que impactam comunidades inteiras. São mulheres que transformam suas realidades e as de tantas outras, provando que o futuro precisa ser feminino, plural e antirracista.
A presença feminina é essencial em todas as frentes do AfroReggae. Dos palcos às telas, das oficinas às ruas, estamos presentes, ocupando e ressignificando espaços. Nas Oficinas Culturais, mulheres ensinam e aprendem, dançam, tocam e expressam suas histórias por meio da arte, construindo identidades e fortalecendo suas vozes. No AfroGames, garotas de áreas periféricas desafiam a lógica de um setor ainda predominantemente masculino, conquistando seu lugar na tecnologia e nos eSports. No Projeto Segunda Chance, mulheres egressas do sistema prisional encontram apoio para recomeçar, resgatando sua autoestima e dignidade. São histórias de resistência e superação que mostram que, quando oferecemos oportunidades, as mulheres não apenas ocupam espaços — elas os transformam.
Ser mulher em posição de liderança ainda é romper barreiras diariamente. O racismo e o machismo estruturais seguem limitando acessos e oportunidades, mas não nos impedem de seguir adiante. O AfroReggae entende que empoderar mulheres não é apenas uma pauta, é um compromisso. Criamos redes de apoio, oferecemos capacitação e, principalmente, reafirmamos todos os dias que mulheres pretas podem e devem estar onde quiserem. Acreditamos que educar mulheres é um dos passos mais poderosos para o protagonismo social. Quando investimos na formação de mulheres pretas (em sua maioria) que moram na periferia e LGBTQIAPN+, não estamos apenas criando novas lideranças, estamos quebrando ciclos de exclusão e desigualdade. O conhecimento empodera, transforma e abre caminhos. E ver mulheres que passaram pelos nossos projetos ocupando espaços de decisão, empreendendo e inspirando outras é a maior prova de que essa mudança é real.
Estar à frente da diretoria social do AfroReggae, sendo uma mulher preta, é carregar a responsabilidade de abrir portas para muitas outras. É saber que cada conquista não é só minha, mas de todas as mulheres que vieram antes e de todas que ainda virão. Por isso, alusivo ao dia 25 de julho, não queremos apenas celebrar. Queremos reflexões e ações em todos os dias, meses, no ano todo. Queremos que a sociedade enxergue as mulheres, principalmente as pretas, não apenas como beneficiárias de políticas sociais, mas como líderes, agentes de mudança e pilares fundamentais para um futuro mais justo. O AfroReggae seguirá nessa missão, acreditando na potência feminina e construindo um amanhã onde nossas vozes não só sejam ouvidas, mas respeitadas e celebradas.

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