Oi, gente! Julho acabou, mas deixou um cheirinho de milho cozido, canjica e todas as delícias das festas que celebram nossas raízes rurais. Em Saquarema, o mês foi marcado por eventos como a Queima do Alho e o Festival do Milho, que não apenas celebram, mas fortalecem nossa cultura e economia local. Ver a alegria e o orgulho dos nossos produtores me faz lembrar do grande desafio que encontramos quando assumi a prefeitura: um setor rural esquecido, com agricultores desanimados, muitos à beira de vender suas terras por não enxergarem um futuro.
Diante desse cenário, nossa primeira decisão foi clara: devolver ao produtor rural o seu valor e o seu lugar de protagonista. Não podíamos aceitar que a especulação imobiliária e o desânimo apagassem uma parte tão vital da identidade de Saquarema. O desafio era resgatar o sentimento de pertencimento e, ao mesmo tempo, criar um ambiente de prosperidade sustentável no campo.
Começamos por fortalecer a Secretaria de Agricultura, dando a ela a missão e as ferramentas para virar o jogo. Criamos a Feira do Produtor Rural, um espaço exclusivo para a agricultura familiar local, e o "Viveiro da Vida", que distribui mudas e insumos para o cultivo de espécies nativas e hortaliças. Já foram quase 3.000 mudas plantadas em áreas de preservação ambiental permanente, contribuindo para a restauração ecológica da cidade.
Para garantir a continuidade desse sucesso produtivo, adquirimos maquinário de uso coletivo, otimizando o trabalho no campo. Consolidamos essa visão com o Plano Diretor de 2021, aprovado em 2023, que demarcou uma Área de Interesse Estratégico para a produção rural familiar, protegendo nossas terras produtivas e freando a ocupação desordenada. Além disso, inauguramos o Parque de Exposições, um palco permanente para eventos que celebram a nossa cultura, como o Country Fest, e que, durante todo o ano, sedia festivais temáticos que geram renda e visibilidade aos nossos agricultores.
Sabíamos, contudo, que era preciso ir além. Para aqueles que já haviam vendido suas terras, mas sentiam a vontade de voltar a cultivar, criamos o projeto da Fazenda Consorciada. Nele, produtores cultivam em terras públicas, de forma coletiva, e parte da produção abastece programas sociais, como o Centro de Apoio ao Paciente com Câncer e a Clínica do Diabético, enquanto o restante é vendido na feira. Unindo tradição e inovação, entregamos a primeira Sala do Empreendedor do Produtor Rural do estado, em parceria com o Sebrae, para formalizar nossos agricultores e capacitá-los a acessar mercados maiores, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Desta parceria, nasceu o programa "Quintais Produtivos", com a Fundação Banco do Brasil, que já beneficia 50 famílias lideradas por mulheres com capacitação e kits para a criação de pomares, hortas e galinheiros, um projeto que a atual gestão já expande com sucesso.
Essa visão de um campo forte e tecnológico não é exclusividade nossa. Vemos exemplos inspiradores em outras cidades que também entenderam o potencial da agricultura familiar. Em Casimiro de Abreu (RJ), por exemplo, os programas "Jovem Agricultor Orgânico" e "Paisagista Mirim", geridos pela Fundação Municipal Casimiro de Abreu, são um belo caso de sucesso. O projeto foca em jovens de 14 a 17 anos, oferecendo não apenas capacitação técnica em agricultura e paisagismo, mas também uma ajuda de custo, garantindo a permanência e o interesse dessa nova geração no campo. É uma iniciativa que vai além da formação profissional, fortalecendo a cidadania e a geração de renda desde cedo.
Em Minas Gerais, a Prefeitura de Uberlândia também dá o exemplo com o seu "Dia de Campo", uma ação do programa "Novo Agro". O evento, que reúne produtores, técnicos e cooperativas, funciona como um grande polo de inovação e apoio, onde são apresentadas novas tecnologias e trocadas experiências valiosas. O mais impressionante é a praticidade: durante o Dia de Campo, o produtor tem acesso a serviços essenciais como vacinação, atualização de rebanho, inscrição no CadÚnico e informações sobre o crédito rural do Pronaf. Essas iniciativas mostram que estamos no caminho certo ao aproximar esses dois mundos que, por vezes, parecem tão distantes.
A tecnologia, quando usada para servir às pessoas, é a ferramenta mais poderosa que temos para construir um futuro próspero e justo. A experiência de Saquarema prova que investir no pequeno produtor, oferecer ferramentas modernas e proteger nossas terras é o segredo para colher desenvolvimento, dignidade e um futuro mais sustentável para todos. É preciso ter a sensibilidade de ouvir a terra e a coragem de inovar. Você conhece algum projeto que está transformando a realidade do campo na sua cidade? Compartilhe comigo pelas minhas redes sociais, que você encontra no meu blog (https://manoelaperes.com.br). Vou adorar conhecer outras histórias de sucesso.
Beijos e até a próxima coluna!
Manoela Peres é secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema, ex-prefeita de Saquarema e Mestre em Administração Pública
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