LEO LUPIDIVULGAÇÃO
A concentração massiva de pessoas, a informalidade do trabalho, a presença de crianças acompanhando responsáveis que atuam como ambulantes ou integrantes das escolas criam um ambiente vulnerável.
Não se trata de criminalizar a festa, mas de reconhecer que o Carnaval também exige políticas públicas, organização e responsabilidade.
É nesse contexto que ganham relevância, iniciativas que colocam a infância no centro do cuidado. À frente de ações articuladas com escolas de samba, poder público e sociedade civil, a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro junto com o Conselho Municipal da Criança e Adolescente (CMDCA) tem articulado um sistema de proteção às crianças e adolescentes no Carnaval, com ações coordenadas nos ensaios técnicos e desfiles oficiais no Sambódromo da Sapucaí, da rua Intendente Magalhães e nos Megablocos. Projeto do qual eu me orgulho muito de fazer parte.
Entre as medidas que estamos adotando está a identificação de crianças por meio de pulseiras, nos ensaios quanto nos desfiles. A iniciativa facilita a localização em casos de desencontro e permitir que equipes de apoio saibam rapidamente quem são os responsáveis legais. É uma ação simples, mas com alto impacto.
Outra frente importante é a implantação de uma tenda de acolhimento para filhos e filhas de ambulantes durante os desfiles do grupo especial. Muitas famílias dependem do trabalho durante o Carnaval para garantir renda, e levam, por necessidade, as crianças para os circuitos da festa. A tenda funciona como um espaço seguro, com acompanhamento, água, alimentação e atividades, reduzindo a exposição ao risco.
As ações também dialogam diretamente com o combate à exploração e ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Campanhas educativas, presença de equipes treinadas e articulação com conselhos tutelares e órgãos de proteção fazem parte de um conjunto de medidas que entende que prevenir é tão importante quanto punir.
Para a Secretaria Municipal de Assistência Social, esse cuidado precisa estar integrado à narrativa do Carnaval, tendo como mote da campanha “Proteger é o nosso enredo”.
Há ainda um esforço para ampliar a divulgação dessas iniciativas, inclusive em parceria com carnavalescos, intérpretes e comunicadores das escolas. A ideia é que a mensagem circule nos barracões, nas redes sociais e nos carros de som: existe uma rede de proteção funcionando e ela precisa ser conhecida.
Não existe festa plenamente democrática quando crianças estão expostas. Garantir a proteção da infância durante o Carnaval é reconhecer que a cultura popular só se sustenta quando caminha junto com responsabilidade. É assim que fortalecemos o Carnaval como patrimônio cultural.
Em caso de violência contra a mulher, ligue 180. Para denúncias de violações de direitos humanos, ligue 100. Para violações de direitos de crianças e adolescentes no município do Rio de Janeiro, ligue 1746.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.