Raul VellosoReprodução

Herdaremos de Lula uma verdadeira armadilha de baixo crescimento do PIB/emprego, dado o elevado grau de envelhecimento da população presente em nosso país.
Com efeito, quanto maior o número de idosos, tanto maiores as taxas de crescimento do número de aposentados/pensionistas a serem pagos pelos regimes oficiais. Ou seja, por aqui os gastos previdenciários/assistenciais simplesmente crescem muito. Daí, o espaço orçamentário para investir no setor público em infraestrutura acaba se reduzindo, pela óbvia prioridade que acaba sendo conferida a previdência/assistência.
Nessas condições, economia/emprego acabam crescendo bem menos, pela escassez cada vez maior do investimento público em infraestrutura, crucial para ampliar a capacidade de produção interna e fazer o PIB crescer. (Sem falar que, sem a pública, dificilmente a privada se materializará na dimensão adequada).
Passo a destacar o envelhecimento cada vez mais rápido da nossa população, de forma comparativa e surpreendente com o de regiões de grande peso e sabidamente mais antigas no resto do mundo (como, especialmente, a Europa, mas também os Estados Unidos), algo pouco percebido por aqui, e considerando projeções para todo o período 2050-2095, conforme cálculos acreditados constantes de escritos da área demográfica.
Na linguagem técnica específica, isso se mede pelos especialistas da área com base na Razão de Dependência de Idosos – RDI, que, conforme o Google, “mede o número de pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 adultos em idade ativa (15 a 64 anos), indicando a pressão sobre o sistema previdenciário e de saúde.”
Segundo o Google, “no Brasil, a RDI aumentou de 11,2 para 14,7 entre 2012 e 2021, com projeção de chegar a 42,6 até 2060, impulsionada pela queda da fecundidade e maior longevidade.”
Nessas condições, o investimento público em infraestrutura que, até então, subia bastante, passou a desabar, como acabou acontecendo a partir de 2009 – e dali até 2022 -, por falta de dinheiro nos orçamentos públicos, que aos poucos foram se redirecionando para cobrir mais e mais “buracos” previdenciários e assistenciais, enquanto, por sua vez, o gasto privado em infraestrutura só caía, restando ao PIB crescer menos e menos.
Assim, cabe concentrar esforços na tarefa conhecida como equacionamento previdenciário, por meio do qual se mudam regras e se fazem outros ajustes com vistas à zeragem do passivo atuarial em causa e, portanto, à abertura de espaço para investir e crescer economicamente.
Raul Velloso é consultor econômico