Ronaldo Damião é médico urologista e membro da ANM e Secretário de Estado de Saúde do RioDivulgação
Ronaldo Damião: Expansão e novas perspectivas para a saúde pública
Há sete décadas, o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ocupa um lugar singular na saúde fluminense. Sua importância está na capacidade de reunir ensino, pesquisa e assistência de alta complexidade.
Esse modelo integrado é um dos grandes diferenciais do Pedro Ernesto. Ambulatório, internação, diagnóstico, cirurgia, oncologia, radioterapia, saúde mental, transplantes e assistência multiprofissional convivem no mesmo ambiente. Para o paciente, isso significa menos fragmentação e maior continuidade do cuidado.
Sobre essa trajetória, mas principalmente em relação ao futuro, é que o HUPE recém-realizou seu 64º Congresso Científico, tendo como tema a Medicina 5.0. Temas como inteligência artificial, genômica, telessaúde, robótica, monitoramento remoto e análise de dados passam a fazer parte da medicina contemporânea. Afinal, a pessoa deve permanecer no centro de qualquer sistema de saúde.
Tecnologia e humanização não são caminhos opostos. A inovação tem sentido quando amplia a capacidade de prevenir doenças, antecipar riscos, personalizar tratamentos, apoiar decisões clínicas e oferecer ao paciente um cuidado mais seguro e resolutivo.
A dimensão do HUPE ajuda a compreender esse desafio. São 450 leitos ativos, cerca de 80 procedimentos cirúrgicos e mais de 3.500 atendimentos ambulatoriais por dia. O hospital também é referência na formação de profissionais de saúde, articulando assistência, ensino, pesquisa e inovação.
Essa capacidade também se expressa em áreas de grande complexidade. O programa de transplantes, iniciado com o transplante renal em 1975, avançou para fígado, coração, medula óssea e córnea. O HUPE, aliás, acaba de ampliar sua infraestrutura com duas novas unidades dedicadas às doenças renais e à atenção oncológica.
O Núcleo de Transplantes (NANT), por exemplo, realizava 50 procedimentos por ano, e agora passa a ter capacidade de fazer até 150. Além disso, incorporamos à estrutura do Centro de Controle do Câncer (CUCC) o PET Scan, equipamento de última geração voltado a exames de alta resolução.
Contudo, preservar um legado de 70 anos exige preparar o hospital para as próximas décadas. A estrutura original envelheceu, enquanto a demanda por procedimentos especializados cresceu. Aumentar a capacidade ambulatorial, diagnóstica e cirúrgica do HUPE tornou-se uma questão estratégica para a saúde pública do Rio de Janeiro.
É nesse contexto que o Governo do Estado vem articulando junto ao BNDES o financiamento para a construção de um novo prédio, ampliando a capacidade de atendimento. A estrutura contará com 160 leitos de alta complexidade, elevando o número total para 700 vagas, além de expandir o centro cirúrgico, que passará de 20 para 40 salas. O projeto responde à crescente demanda por esse tipo de serviço de saúde.
Com a articulação entre UERJ, Governo do Estado e Governo Federal temos a oportunidade de fortalecer um patrimônio público que reúne assistência de alta complexidade, formação profissional, produção científica e inovação. Esse é, para mim, o verdadeiro sentido da Saúde 5.0: utilizar a tecnologia para produzir melhores resultados, reduzir esperas, qualificar o cuidado e ampliar o acesso.
Ronaldo Damião é médico urologista e membro da Academia Nacional de Medicina (ANM) e Secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro



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