Obras será lançada neste sábado, às 17h30Foto: Divulgação
Livro inspirado em história silenciada por 70 anos inaugura programação cultural no Vale das Videiras
"Por trás da cicatriz" será apresentado ao público neste sábado, no Vale das Videiras
Petrópolis - Uma história familiar mantida em silêncio por mais de 70 anos está na origem de Por trás da cicatriz, novo romance da escritora Anna Claudia Ramos. Inspirada na experiência vivida por uma tia que sofreu violência na juventude, no fim dos anos 1940, a obra será lançada neste sábado (06), às 17h30, no Cinema Amavale, no Vale das Videiras. O encontro inaugura a programação cultural permanente idealizada pela produtora cultural Maria Sonia Pinho, à frente da Paleta Produções Culturais, e marca a abertura do espaço para uma agenda voltada à literatura, às artes e à formação de público.
Conhecida nacionalmente por sua produção voltada a crianças e jovens, Anna Claudia Ramos nasceu no Rio de Janeiro, em 1966, e atualmente divide seu tempo entre a capital fluminense e o Vale das Videiras. Autora de mais de cem livros publicados desde sua estreia, em 1992, com Pra onde vão os dias que passam?, vem se dedicando nos últimos anos à literatura voltada ao público adulto.
Em Por trás da cicatriz, seu terceiro romance nessa vertente, a escritora transforma uma experiência familiar em uma reflexão sobre memória, violência e os efeitos do silêncio. A obra nasceu após a descoberta de um episódio vivido por uma tia e mantido em segredo por cerca de sete décadas.
"Após a morte do meu pai, acontecimentos do passado vieram à tona e revelaram uma dor que atravessou gerações. A partir desse encontro com a memória, senti que era preciso transformar o silêncio em narrativa e a dor em possibilidade de compreensão", conta.
Misturando cartas, lembranças e relatos familiares, o romance acompanha um processo de reconstrução da memória. Ao longo da narrativa, a personagem central compreende que foi vítima de uma violência e não responsável por ela.
"Há uma dimensão de reparação simbólica e emocional quando minha tia compreende o que lhe aconteceu. Acredito que essa tomada de consciência possa inspirar outras mulheres a ressignificarem suas próprias histórias e encontrarem caminhos para além da dor", afirma. "A dor não precisa ser o ponto final de uma história", conclui.

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