Moradora de Porto Real recebeu alta do hospital, mesmo com dedo necrosandoFoto: Dianifan Vidal

Porto Real - Pela segunda vez, uma moradora de Porto Real (RJ) corre o risco de perder o dedo do pé esquerdo por diabetes e é liberada do hospital sem nenhum tratamento. Maria de Fátima Pinheiro dos Santos, de 61 anos, tem diabetes e hipertensão. Para tratar as doenças, ela toma diversos medicamentos todos os dias e precisa de atendimento especializado quando vai ao hospital.
A filha dela, Dianifan Vidal, conversou com o Jornal O Dia e disse que a mãe deu entrada na internação no dia 28 de junho com o dedo do pé esquerdo com necrose e inflamado. Maria de Fátima ficou internada até o dia 9 de julho, última terça-feira, e recebeu alta mesmo com o dedo necrosando.
"Disseram que ela ia tomar os sete dias de antibiótico e assim foi feito. Ela ficou uns dias a mais e deram alta pra ela. Agora ela está em casa e na mesma situação. No estado de como o dedo dela está, pode acarretar problema maior. Se pegar alguma bactéria, por exemplo, em casa não temos recursos pra tratar esse tipo de problema." comentou Dianifan.
A família acredita que se a Maria de Fátima ficar em casa, vai ter que amputar esse dedo. "Deus sabe lá o que pode acontecer. Mandaram pra casa pra ela continuar o tratamento no PSF [Posto de Saúde da Família] com o doutor que acompanha o estado de saúde dela. [...] Era pra eles terem visto e feito os procedimentos, porque eles sendo profissionais sabem o que pode acontecer. Não é nem pela demora, a questão é deram alta mesmo com o problema que, se ela estivesse no hospital, daria tempo de solucionar."
A insatisfação é ainda maior em razão da inauguração da parte nova do Hospital Municipal São Francisco de Assis. "Se teve inauguração é porque chegou os equipamentos no hospital. Aí eu me pergunto: por que deram alta se tem os recursos pra fazer o melhor antes que aconteça o pior? Da primeira vez ela ficou um mês e pouco, graças a uma nota do Jornal O Dia, o hospital começou a fazer oque tinha que ser feito."
O Jornal O Dia entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Porto Real que informou que a paciente ficou internada por 10 dias no hospital, recebeu tratamento e realizou exames. Disse ainda que a paciente aguarda marcação do exame de arteriografia de membro inferior na Santa Casa de Barra Mansa, para definir a melhor solução para ela.
Confira a nota na íntegra: 
A Prefeitura informa que a paciente ficou internada por aproximadamente 10 dias no Hospital São Francisco de Assis, onde recebeu tratamento com antibióticos. Durante esse período, foram realizados exames complementares laboratoriais e de imagem, além de avaliação pela equipe de cirurgia vascular. A paciente foi encaminhada para tratamento ambulatorial e aguarda a marcação do exame de arteriografia de membro inferior na Santa Casa de Barra Mansa, unidade que é a referência da região neste tipo de exame, para elucidação do quadro clínico e definição da conduta médica adequada para a paciente.
Essa não é a primeira vez
Em janeiro de 2023, o filho, Averaldo de Jesus da Silva Vidal, contou ao Jornal O Dia que a mãe foi levada ao Hospital de Porto Real por três vezes em dezembro de 2022. A última consulta foi no dia 24, véspera de Natal. "Em todas as vezes ela não passou por exames. Só passaram remédios para dor e uma pomada. No começo, ela só estava com um machucado, mas o caso se agravou e agora ela está com o dedo necrosado".

Depois da peregrinação na unidade do município onde mora, a paciente chegou a ser levada pela família para o Hospital de Emergência de Resende, cidade vizinha, e depois para um hospital particular do mesmo município. "Juntamos um dinheiro e conseguimos fazer alguns exames no particular. O hospital orientou que ela fosse imediatamente internada, mas nós não tínhamos condições", conta.

Apenas no último dia 26 de dezembro, a paciente conseguiu ser internada em Porto Real, mas o caso já havia piorado. Em nota, a prefeitura de Porto Real disse que "a paciente foi internada no dia 26/12/2022, assim que foi constatada uma veia entupida até a altura do joelho, seguindo todo protocolo de tratamento e recebendo os cuidados médicos necessários. Neste momento, a paciente está sendo regulada para o município de Barra Mansa para ser atendida na Santa Casa, onde o procedimento será realizado."